As ações de empresas ligadas à inteligência artificial recuam nesta segunda-feira (14), após executivos de companhias americanas defenderem um ritmo menor de avanço dos modelos para reduzir riscos associados ao uso da tecnologia. Os futuros do Nasdaq caem 1,3% durante o pregão asiático, enquanto os papéis da SoftBank, investidora direta da OpenAI, recuam até 13,2% no Japão.
O alerta parte de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic. Em ensaio publicado no X no último sábado (12), ele pede que as empresas reduzam o ritmo de desenvolvimento diante dos temores sobre o uso indevido da inteligência artificial. Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, dizem concordar com a avaliação.
Amodei afirma que, em seis a 12 meses, agentes de IA “poderiam ser capazes de assumir o controle de toda a internet, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos”. Depois do alerta, Altman reafirma que a OpenAI não deve realizar uma oferta pública de ações neste ano e cita preocupações com segurança.
Perdas se espalham pela Ásia
Além da SoftBank, fabricantes de chips registram perdas de até 9,8% no Japão. Em Taiwan, a TSMC recua 1,2%. Na Coreia do Sul, a SK Hynix cai 5,3% e a Samsung Electronics perde 3,7%. Em Xangai, a CXMT chega a recuar 3,6%, enquanto a Semiconductor Manufacturing International Corporation cai 2,6%.
A reação também se relaciona às dúvidas sobre o retorno dos investimentos no setor. Analistas e investidores vêm direcionando recursos para teses consideradas arriscadas, enquanto receitas e aportes acompanham esse movimento, com projetos multibilionários previstos para além de 2035.
Na avaliação de analistas mais céticos, os valores atribuídos a empresas como AMD e Nvidia estão elevados, e os investimentos podem demorar a se pagar diante da dinâmica atual do mercado. Amodei estaria, nessa leitura, ajustando as expectativas para os próximos anos.
O megainvestidor Michal Burry, conhecido por ter previsto a crise de 2008, afirma que OpenAI e Anthropic fazem alertas falsos sobre a inteligência artificial por causa do crescimento mais lento dos modelos antes de seus respectivos IPOs.



