BRASÍLIA — A Cani Bravo, empresa criada por Thays Bié, transforma alimentação natural e confeitaria para cães em negócio. A companhia faturou R$ 81 mil no último exercício e agora estuda expandir por meio de franquias, com apoio do Sebrae.
Bié começou a cozinhar para o próprio cachorro durante a pandemia de coronavírus. O animal, que tinha oito anos, precisava de cuidados especiais com a alimentação. A empreendedora passou a preparar refeições como alternativa aos alimentos industrializados e recebeu os primeiros clientes por indicação de amigos.
A empresa foi fundada em agosto de 2021 por Bié e sua esposa e sócia, Mariana. Antes disso, a empreendedora, natural de Porangatu, em Goiás, trabalhou como costureira, vendeu cangas e comercializou cursos online para concurseiros. Durante a pandemia, também tentou vender própolis e fez um curso prático de gastronomia.
Refeições personalizadas e confeitaria
A Cani Bravo produz refeições sob encomenda, bolos de aniversário e petiscos. Cerca de 80% da demanda vem de tutores que procuram dietas personalizadas, elaboradas a partir de prescrições de veterinários nutricionistas escolhidos pelos clientes.
As receitas podem incluir músculo bovino, tilápia, carne de coelho e carne de rã. Refeições mais simples custam, em média, R$ 500 por mês. Dietas com ingredientes específicos podem chegar a R$ 1.000 mensais.
Os outros 20% são atendidos pelas Dietas da Casa, desenvolvidas por uma veterinária nutricionista contratada pela empresa. As opções de filé bovino, filé de peito de frango e filé suíno são vendidas a partir de R$ 8,10 por 100 gramas.
A confeitaria atende ocasiões como aniversários de pets. A empresa aproveita pequenas sobras da produção das refeições, como batata-doce, para fazer bolos e doces. Os bolos começam em R$ 20, e o tamanho P, vendido a R$ 50, é o mais procurado.
Feiras e próximos passos
Depois de transferir a produção doméstica para um espaço próprio, as sócias fecharam um pequeno ponto comercial e investiram em uma cozinha maior, instalada em uma região mais afastada do centro de Brasília. Para se aproximar dos clientes, a empresa passou a participar, em agosto deste ano, de feiras gastronômicas noturnas no bairro Noroeste.
“Não quis fazer feira pet”, afirma Bié. A estratégia é apresentar os produtos em eventos voltados ao público humano e despertar a curiosidade de quem não conhece a confeitaria para animais.
A empresa também enfrenta dificuldade para manter funcionários. De acordo com Bié, profissionais costumam deixar o trabalho após 60 dias ou antes de 90 dias. A produção fica principalmente com as duas sócias, com apoio de um cozinheiro freelancer cerca de duas vezes por semana nos períodos de maior demanda.
O faturamento de R$ 81 mil levou a empresa a fazer a transição de microempreendedor individual (MEI) para microempresa (ME), com apoio de uma contabilidade especializada. As sócias estudam com o Sebrae um modelo de franquia, mas consideram necessário estruturar a equipe da cozinha antes de avançar.



