A responsabilidade financeira é o principal indicador de vida adulta para 70% dos jovens de 22 a 25 anos, aponta a pesquisa “GenZ faz 30 anos: o rito de passagem para a vida adulta”. Nessa faixa etária, 44% identificam a instabilidade financeira como o maior obstáculo para se sentirem plenamente adultos.
O levantamento foi realizado pelo InstitutoZ, núcleo de pesquisa da consultoria Trope-se, com aproximadamente 7 mil respondentes em todo o país. Também mostra que 54% dos entrevistados de 22 a 25 anos se sentem atrasados em relação a outras pessoas, enquanto 58% dizem que as redes sociais influenciam significativamente a avaliação que fazem das próprias trajetórias.
Moradia e estabilidade
A autonomia residencial não acompanha, no mesmo ritmo, a percepção de sucesso financeiro. Entre os jovens de 26 a 30 anos, 47% moram sozinhos ou com parceiros, mas 76% afirmam que ainda não alcançaram o sucesso financeiro desejado.
No conjunto da Geração Z, mais da metade ainda vive com a família de origem. Outros 11% moram sozinhos e 14% vivem com parceiros. Entre os entrevistados, cerca de 65% pertencem a famílias com renda de até 5 mil reais; 7% estão em faixas superiores a 10 mil reais.
A independência financeira cresce de 15% aos 17 anos para 58% aos 30. Entre os jovens de 22 a 25 anos, a saída da casa dos pais pode ocorrer por meio de repúblicas, moradias compartilhadas, coliving ou divisão de aluguel com amigos ou parceiros.
Paula Cisneiros, antropóloga e head de Pesquisa do InstitutoZ, define esse intervalo como “waithood”, conceito criado originalmente para a juventude no Oriente Médio. O termo descreve quem alcança marcos formais de autonomia, como sair de casa, mas permanece à espera de emprego estável e renda.
Entre 17 e 21 anos, resolver problemas sozinho e assumir responsabilidades aparecem como os principais marcadores da vida adulta. Dos 26 aos 30, a responsabilidade financeira é citada por 75% como um dos principais critérios, e 58% afirmam se sentir totalmente adultos.
Para Luiz Menezes, CEO da Trope-se, a busca por autonomia ocorre em um cenário no qual os marcos tradicionais da adultidade se tornaram mais difíceis de sustentar e menos previsíveis do que para gerações anteriores.



