O desempenho do Ibovespa após as eleições dependerá menos do nome do presidente eleito e mais da capacidade do próximo governo de convencer o mercado sobre um ajuste fiscal, afirma Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI Administração de Recursos.
Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, o gestor avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro tende a ser recebida de forma mais positiva pelos mercados. Um novo mandato de Lula, por outro lado, poderia provocar uma reação inicial mais negativa, diante da baixa confiança dos investidores na disposição do presidente de reduzir gastos e melhorar a trajetória da dívida pública.
"Eu acho que o mercado tem uma confiança muito baixa de que Lula, ganhando as eleições, ele vá realmente fazer um ajuste que é necessário", disse Glatt.
Parte dessas expectativas, porém, já estaria incorporada aos preços dos ativos. Para o gestor, o resultado das urnas ainda será decisivo para definir a direção do Ibovespa.
A recuperação recente do índice foi impulsionada principalmente pela entrada de recursos estrangeiros, na avaliação de Glatt. Os investidores brasileiros seguem com baixa exposição à renda variável: apenas cerca de 2% a 3% dos portfólios da indústria estão alocados em ações.
Potencial da bolsa e escolhas da carteira
Glatt considera que o movimento de alta pode continuar se o próximo governo melhorar a percepção sobre as contas públicas e abrir espaço para uma trajetória mais favorável dos juros. Nesse cenário, o investidor doméstico poderia retornar gradualmente ao Ibovespa e estimular uma nova valorização.
"Eu diria que pelo menos acima de 200 mil pontos em um horizonte mais longo", afirmou o gestor ao comentar o potencial do índice. Ele também avalia que muitos setores da bolsa negociam com múltiplos baixos em relação à própria história.
Diante de uma disputa eleitoral considerada equilibrada, a estratégia da GTI combina ativos defensivos com empresas que podem se beneficiar de diferentes resultados. Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e São Martinho (SMTO3) aparecem entre as posições mais resistentes à continuidade de Lula no Planalto, por terem geração de caixa robusta e ativos reais.
A Simpar (SIMH3) é citada como uma empresa mais sensível ao ciclo econômico brasileiro, com potencial de responder a um cenário de juros menores e melhora da economia.
Glatt ressalta que os mercados também dependem dos juros nos Estados Unidos, da guerra no Oriente Médio e do comportamento do petróleo.
No quadro Touros e Ursos, o Supremo Tribunal Federal (STF) e as bets foram apontados como destaques negativos. Entre os positivos, o gestor citou a Ser Educacional (SEER3) e a fusão entre Yduqs e Afya, operação com potencial de gerar mais de R$ 2 bilhões em sinergias.


