O anúncio do reajuste do Bolsa Família provocou queda na Bolsa, alta do dólar e avanço dos juros futuros, mas o movimento perdeu força ao longo do pregão. A reação abriu espaço para investidores que já apostavam no chamado “Trade Flávio” ampliarem suas posições.
O benefício terá aumento de 15,04%, acrescentando 5,8 bilhões de reais às despesas ainda neste ano e 22,7 bilhões de reais em 2027. O Ibovespa chegou a recuar 1,24% e tocar 183.242 pontos, mas encerrou o dia aos 185.992 pontos, com alta de 0,23%. O dólar atingiu 5,177 reais e terminou em queda de 0,25%, a 5,139 reais. Os juros futuros também devolveram a alta registrada após o anúncio.
Para Christian Lupinacci, sócio e CIO da Lev Asset Management, o episódio foi um “news failure colossal”: a notícia provoca inicialmente a reação esperada nos preços, mas não sustenta o movimento. Na avaliação dele, parte dos agentes passou a considerar que Lula pode perder a eleição, enquanto investidores já posicionados aproveitaram os preços menores para defender ou ampliar suas apostas.
A deterioração fiscal chegou a retirar quase 3 mil pontos do Ibovespa em relação ao nível anterior à queda. A demanda, porém, ajudou a reverter o movimento. Nesse tipo de operação, um choque negativo pode ser interpretado como oportunidade quando não altera a tese que motivou a compra dos ativos.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada pela manhã também manteve a disputa eleitoral no foco dos investidores. Em uma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro apareceu com 47,2% e Lula, com 46,8% — diferença de 0,4 ponto percentual, dentro da margem de erro de um ponto. Uma semana antes, os percentuais eram 46,4% para Flávio e 46,2% para Lula.
A alta da Vale e um ambiente externo mais favorável também contribuíram para a recuperação do Ibovespa. O movimento, portanto, não é atribuído exclusivamente à eleição. O episódio, porém, mostra que a tese associada ao “Trade Flávio” pode ganhar força tanto com pesquisas favoráveis quanto após quedas provocadas por choques contrários.



