A greve nacional dos Correios interrompe o cronograma previsto para reformular o plano de saúde dos funcionários, uma das medidas centrais do plano de recuperação da estatal. A mudança deveria reduzir despesas em 700 milhões de reais por ano a partir de 2027.
A proposta apresentada aos trabalhadores prevê a criação de um grupo para avaliar alternativas ao modelo atual de assistência médica. O prazo para a conclusão é de até 120 dias, mas começa somente depois da assinatura do acordo coletivo. Como a paralisação foi iniciada nesta sexta-feira e o tema está entre os motivos da rejeição do acordo, os estudos ainda não começaram.
Prazo e aprovações
Mesmo com um acordo imediato, a análise levaria quatro meses e poderia terminar em janeiro de 2027. Depois, qualquer mudança dependeria de avaliações técnicas, jurídicas, atuariais e econômico-financeiras, além das aprovações internas dos Correios.
Os funcionários resistem, entre outros pontos, à retirada da garantia de que a estatal continuará como mantenedora do plano de saúde. Sem entendimento, o cronograma da reestruturação permanece parado.
A economia projetada é considerada uma das medidas de maior relevância econômica no plano acompanhado pelo Tribunal de Contas da União. Ao analisar a proposta, o tribunal registrou que a estimativa não estava amparada por estudos atuariais.
O impasse ocorre enquanto os Correios buscam novos recursos para enfrentar a crise. A estatal solicitou ao Tesouro Nacional uma garantia para contratar empréstimo de 7 bilhões de reais. No fim de 2025, a empresa havia obtido 12 bilhões de reais.
O TCU também alertou para os riscos fiscais de um eventual descumprimento significativo do plano de recuperação e determinou o acompanhamento de sua execução.



