SÃO PAULO — O setor financeiro brasileiro prevê investir 50,4 bilhões de reais em tecnologia neste ano, mas a expansão da inteligência artificial ainda esbarra na capacidade das empresas de organizar responsabilidades, projetos e operações. Cerca de 3 bilhões de reais desse orçamento devem ser destinados a IA, Analytics e Big Data, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026.
O Diagnóstico de Maturidade em IA no Setor Financeiro, realizado pela MATH Group durante o Febraban Tech 2026, mostra que 66% dos participantes estão no nível 2 de maturidade, classificado como emergente. A média foi de 2,29 em uma escala de 1 a 5. Apenas três chegaram ao nível 4, e nenhum atingiu o nível máximo.
A pesquisa ouviu 151 participantes entre 24 e 26 de agosto. O levantamento avaliou seis dimensões: Estratégia e Valor; Tecnologia e Plataforma; Governança e Risco; Dados, Pessoas e Cultura; e Patrocínio e Modelo de Operação.
Operação é o ponto mais frágil
A menor média apareceu em Patrocínio e Modelo de Operação: 1,96. Esse pilar esteve entre os pontos mais frágeis para 108 dos 151 participantes. O resultado indica dificuldades para definir responsabilidades, estabelecer prioridades e criar estruturas capazes de levar projetos de IA a outras áreas das empresas.
Tecnologia e Plataforma não foi apontada como o principal problema. O diagnóstico também encontrou empresas cuja estratégia de IA avançou mais rapidamente do que a estrutura de dados e organizações em que a tecnologia evoluiu além dos mecanismos de governança.
Os dados foram coletados por meio de uma experiência conversacional com a Mathilda, agente de IA da MATH Group. A ferramenta questionou os participantes sobre o uso da tecnologia e os obstáculos para ampliar sua aplicação.
Para Marcel Ghiraldini, fundador da MATH Group, o setor já passou da etapa de decidir se deve adotar IA. “A questão agora é outra: como fazer com que aquilo que funcionou em um projeto deixe de ser uma experiência isolada”, afirma. A inteligência artificial e a IA generativa aparecem entre as prioridades tecnológicas de 84% das instituições ouvidas pela Febraban.



