O Itaú BBA mantém a recomendação de compra para a Iochpe-Maxion (MYPK3), mas reduz o preço-alvo da ação de R$ 14 para R$ 13 ao fim de 2026. Considerando a cotação de R$ 9,11 usada no relatório, o novo valor indica potencial de valorização de 42,7%.
A orientação, porém, é de cautela no curto prazo. O banco avalia que a recuperação da demanda por veículos comerciais na América do Norte e a melhora gradual das margens sustentam a companhia, enquanto uma investigação concorrencial na Alemanha limita a visibilidade sobre a ação.
Investigação na Alemanha
A apuração envolve uma suspeita de descumprimento das regras de concorrência na venda de rodas de alumínio para veículos leves. O caso envolve a Maxion Wheels Holding GmbH, controlada indireta da Iochpe-Maxion na Alemanha, e é conduzido pelo Bundeskartellamt, autoridade alemã de defesa da concorrência.
As projeções do Itaú BBA não consideram possíveis desembolsos ou passivos relacionados à investigação. Os analistas afirmam que as informações disponíveis ainda não permitem dimensionar uma eventual multa. “A incerteza relacionada à investigação pode limitar o espaço para valorização no curto prazo”, afirmam.
Revisão das projeções
O corte de 7,1% no preço-alvo está ligado principalmente a mudanças nas premissas de capital de giro e de geração de caixa. O banco reduz em 17,9% a projeção de lucro líquido para 2026, de R$ 269 milhões para R$ 221 milhões, sobretudo por despesas financeiras acima do esperado.
A estimativa de receita líquida deste ano recua 1%, para R$ 15,79 bilhões, e a previsão de Ebitda cai 3,1%, para R$ 1,64 bilhão. A margem Ebitda projetada passa de 10,6% para 10,4%.
Para 2027, o BBA eleva a previsão de receita em 0,7%, para R$ 17,06 bilhões, mas reduz a estimativa de Ebitda em 0,5%, para R$ 1,81 bilhão. A expectativa de lucro permanece próxima de R$ 332 milhões.
O banco calcula que a Iochpe negocia a aproximadamente quatro vezes o lucro estimado para 2027. Apesar de considerar o nível atrativo, avalia que a investigação pode impedir uma reavaliação significativa da ação no curto prazo. Uma maior clareza sobre o caso é apontada como o principal gatilho para melhorar a percepção dos investidores.
Para o terceiro trimestre de 2026, o Itaú BBA projeta receita de R$ 4,1 bilhões e margem Ebitda de 10,9%. O ritmo de recuperação da demanda por veículos pesados nos Estados Unidos também estará no radar. Uma retomada global mais forte pode gerar resultados acima das estimativas, enquanto juros elevados por mais tempo ou uma alta expressiva dos combustíveis pode pressionar a demanda e a receita da companhia.



