LUIZ ALVES — Com 12 destilarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luiz Alves, em Santa Catarina, direciona a produção de cachaças para o mercado premium. O município tem 12.132 habitantes e reúne praticamente um alambique para cada 1.011 pessoas.
A produção chega a 1 milhão de litros por ano. Dez alambiques familiares integram a Rota da Cachaça, que também reúne rótulos premiados no Brasil e no exterior. As garrafas podem custar até R$ 1.000.
O principal diferencial da cidade é o selo de Denominação de Origem (DO), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Luiz Alves está entre as cidades brasileiras com essa certificação para cachaças e aguardentes.
Orécio Rech, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Luiz Alves (APCALA) e proprietário do Alambique Rein, afirma que o processo de certificação durou mais de quatro anos. Análises identificaram na levedura Saccharomyces cerevisiae usada na região uma genética preservada em mais de 150 anos de tradição. A cana-de-açúcar local, os fatores geoclimáticos e o método artesanal também fazem parte da certificação.
Produção familiar e diversificação
A fabricação de cachaça na cidade remonta ao início do século XIX, com a chegada de imigrantes europeus, principalmente alemães. O excedente da cana usada na produção de açúcar passou a ser destinado à destilação caseira. Atualmente, a bananicultura responde por mais de 90% da economia agrícola local e movimenta R$ 295,8 milhões por ano, conforme a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do IBGE.
No Alambique Wruck, a prioridade são as cachaças envelhecidas. A produção varia entre 80 e 100 mil litros por safra, com garrafas de R$ 40 a R$ 1.000. Uma edição comemorativa dos 80 anos do alambique tem envelhecimento de 18 anos e 250 garrafas numeradas.
A Cachaçaria Spézia combina bebidas premium, licores e coquetéis alcoólicos. O portfólio passa de 70 produtos. Entre eles está uma cachaça envelhecida de 35 anos, vendida por R$ 520, além de bebidas saborizadas e licores. A empresa produz, em média, 40 mil litros por mês e vende para redes de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
No Alambique Rein, o foco está nos produtos premium. A empresa não chega à produção anual de 40 mil litros e trabalha com ticket médio de R$ 160. Seus principais clientes são lojas especializadas e boutiques de bebidas em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Impostos e queda no volume
Orécio Rech aponta a carga tributária como o principal desafio do setor. Um produto que sai do alambique por R$ 100 chega a R$ 180 no distribuidor e pode alcançar preço final até três vezes maior, considerando logística, seguro e margem de lucro.
A Reforma Tributária começa a ser implementada gradualmente a partir de 2027. O IPI dará lugar ao Imposto Seletivo, com alíquotas progressivas conforme o teor alcoólico e cobrança também sobre o valor final. As cachaças premium envelhecidas têm teor alcoólico entre 38% e 48%.
O Anuário da Cachaça, com ano-base 2025, registra queda de 11,5% na produção nacional, de 265 milhões de litros para 234,48 milhões de litros. Na Região Sul, a retração chega a 28,24%, associada à mudança dos alambiques para rótulos de maior valor agregado.



