O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a proibição dos sites de aposta no Brasil e compara o uso das bets à dependência química. Após assinar a medida provisória que impede o funcionamento dessas plataformas, ele afirma que o problema ganhou escala maior por estar disponível no celular.
Lula relata que, quando o crack chegou ao país, familiares de pessoas dependentes pediam ajuda porque os usuários comprometiam bens e recursos da casa para manter o vício. Para o presidente, a dinâmica se repete nas apostas digitais. “Com as bets, está acontecendo exatamente a mesma coisa, mas num grau muito maior, porque é digital”, disse.
O presidente também afirma que os sites levaram o cassino para o ambiente doméstico. “O cassino está na cozinha, está na sala”, declarou. Ele compara o problema a um tumor e defende que a proibição impeça o uso do dinheiro destinado à alimentação da família em cartões de crédito e plataformas de aposta.
Impacto no futebol
Lula minimiza o efeito da medida sobre os clubes de futebol. Nos últimos dias, equipes e federações divulgam um manifesto contra a proibição e alertam para o risco de encerramento do esporte no país. No ano passado, os principais clubes da Série A do Campeonato Brasileiro recebem quase 1 bilhão de reais em patrocínios de sites de aposta.
O presidente afirma que, conforme a informação disponível a ele, a participação das bets representa 6% a 7% do orçamento de um time de futebol. “Isso não tem nada a ver”, diz, ao contestar a relação entre a proibição e a continuidade dos clubes.
Lula também cobra consciência das equipes em relação aos torcedores. Ele argumenta que o público já acompanha os times, vai aos estádios e compra alimentos para a família. Na avaliação do presidente, os clubes não devem aceitar que o dinheiro destinado ao pão, à refeição e ao sustento dos filhos seja direcionado às apostas.



