Os mercados financeiros brasileiros devem subir nesta segunda-feira (5), após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Investidores e analistas associam o resultado à possibilidade de maior disciplina fiscal, mas ressaltam que a definição depende do segundo turno.
Thierry Larose, gerente de carteira da Vontobel, prevê alta nos ativos brasileiros e afirma que o mercado deve dar a Flávio o benefício da dúvida. Para ele, anúncios rápidos e críveis de ajuste fiscal, apoiados por uma configuração institucional favorável, poderiam prolongar a valorização além do período inicial após a eleição.
Larose também relaciona as perspectivas ao desempenho de candidatos de direita e centro-direita nas disputas para governador. Eles venceram no primeiro turno nos maiores Estados, incluindo São Paulo e Minas Gerais, o que, na avaliação do gestor, reforça as implicações favoráveis ao mercado.
Viktor Szabo, gerente de carteira de dívida de mercados emergentes da Aberdeen, classifica o resultado como positivo e projeta uma variação de 4% a 5% no câmbio e alta de 7% a 8% no mercado de ações. Ele também espera valorização nas taxas locais, diante da possibilidade de um ciclo de cortes mais acentuado pelo banco central.
Jeff Grills, chefe da área de dívida de mercados emergentes da Aegon Asset Management, pede cautela. Ele afirma que as intenções dos eleitores são difíceis de prever e que o resultado do primeiro turno não permite conclusões definitivas. Na avaliação dele, uma vitória de Flávio pode aumentar a possibilidade de restrições fiscais, enquanto Lula ainda poderia se mover para o centro, embora exista dúvida sobre isso.
Graham Stock, estrategista sênior de soberanos da RBC Bluebay, considera Flávio o favorito para o segundo turno. Ele estima que o candidato possa receber votos transferidos dos concorrentes eliminados em uma proporção de cerca de 70 a 30, criando uma margem que Lula teria de reverter em 25 de outubro.
Thomas Haugaard, gerente de carteira de dívida em moeda forte de mercados emergentes da Janus Henderson Investors, diz que a reação inicial é “claramente favorável aos ativos brasileiros”. Ele destaca a credibilidade fiscal como principal variável de médio prazo e afirma que o mercado exigirá execução das políticas, não apenas sinais eleitorais.
Gustavo Medeiros, chefe de pesquisa macroeconômica global do Ashmore Group, afirma que o segundo turno de 25 de outubro não está definido, mas que a matemática favorece Flávio. Ele ressalta que uma eventual presidência herdaria um país dividido, sem experiência do candidato no Poder Executivo e com preocupações de parte da elite sobre as instituições democráticas.



