Mensagens incorporadas à investigação da Polícia Federal indicam que Eduardo Bolsonaro orientou como recursos destinados ao filme Dark Horse deveriam ser enviados e administrados nos Estados Unidos. O material também aponta que ele discutiu formas de acelerar as remessas.
As comunicações estão em documentos cujo sigilo foi revogado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura a origem, a movimentação e o destino do dinheiro destinado à cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Em uma mensagem de 21 de março do ano passado, o publicitário Thiago Miranda encaminhou orientações atribuídas a Eduardo Bolsonaro sobre a administração dos recursos em território americano. O ex-deputado defendeu que o dinheiro estivesse nos Estados Unidos para facilitar as transferências. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, afirmou, conforme o documento.
Remessas e empresas envolvidas
As mensagens mencionam um aporte de US$ 25 milhões para a produção. Eduardo também alertou que o uso de empresas brasileiras com capacidade financeira inferior ao montante poderia atrasar as transferências. Nesse cenário, as remessas teriam de ser feitas gradualmente e poderiam levar cerca de 6 meses.
Como alternativa, ele sugeriu o envio da maior quantia possível pelo sistema que já vinha sendo usado, com o mesmo remetente. Eduardo ainda indicou que o corretor Altieris Santana poderia fornecer informações adicionais em reuniões presenciais.
Santana é diretor da Havengate Development Fund, fundo que recebeu dinheiro da Entre Investimentos destinado à cinebiografia, segundo a investigação. As mensagens são tratadas como um indicativo da participação de Eduardo nas discussões sobre a movimentação dos recursos.
Apuração sobre o destino do dinheiro
A investigação considera a possibilidade de que parte dos US$ 24 milhões a US$ 25 milhões estimados para o filme tenha sido desviada da finalidade declarada para custear Eduardo Bolsonaro no exterior. As autoridades tentam reconstruir o percurso financeiro, identificar a origem dos valores, os intermediários e os destinatários, além de verificar como o dinheiro foi utilizado.
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, fechou acordo de colaboração premiada e confirmou repasses, divididos em cotas, para a Havengate Development Fund. Os valores tinham como finalidade declarada financiar os custos do filme sobre Jair Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro também é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa relacionadas à arrecadação para a obra audiovisual. A apuração busca esclarecer se os recursos chegaram à produção ou tiveram outra destinação.



