NOVA DÉLI — O presidente da China, Xi Jinping, deve apresentar propostas para ampliar a qualidade da cooperação entre os integrantes do BRICS durante a 18ª Cúpula do grupo, realizada neste sábado (12) e domingo (13), em Nova Déli, na Índia. O encontro também marca os 20 anos do mecanismo e ocorre em meio à entrada de novos países e parceiros do Sul Global.
Xi participa da reunião a convite do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. A expectativa é que o discurso do presidente chinês indique as prioridades de Pequim para a próxima etapa do BRICS, com foco em desenvolvimento sustentável, inteligência artificial, economia digital, agricultura e redução da pobreza.
O líder chinês também deve discutir com outros chefes de governo a conjuntura internacional, o futuro do grupo e a ampliação de projetos conjuntos. A cúpula antecede a presidência chinesa do BRICS, prevista para 2027.
Expansão e atuação internacional
Criado por Brasil, Rússia, Índia e China, o grupo incorporou posteriormente a África do Sul e, nos últimos anos, ampliou o número de integrantes e parceiros. A expansão aumentou o peso econômico e político do mecanismo, que reúne países com grandes mercados consumidores, capacidade industrial e reservas relevantes de recursos naturais.
Entre os pontos de convergência estão a defesa de maior autonomia estratégica, o fortalecimento dos países em desenvolvimento e a reforma das instituições de governança internacional. O BRICS também é apresentado como uma plataforma de articulação do Sul Global baseada na abertura, na inclusão e na cooperação com benefícios compartilhados.
A ampliação ocorre em um cenário de unilateralismo, protecionismo e disputas geopolíticas. Nesse contexto, o grupo busca fortalecer a defesa do multilateralismo e de uma ordem internacional menos concentrada nas potências ocidentais.
Papel da China
Desde 2013, Xi Jinping apresenta propostas para ampliar o alcance do BRICS, incluindo o modelo “BRICS Plus”, voltado à aproximação com outras economias emergentes e países em desenvolvimento. A China também apoiou a instalação, em Xangai, do Novo Banco de Desenvolvimento, criado para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.
Em uma cúpula virtual realizada em setembro de 2025, Xi definiu como prioridades a defesa do multilateralismo, a preservação de uma ordem econômica e comercial aberta e o fortalecimento da solidariedade entre os integrantes.
A Malásia, atualmente país parceiro, manifestou intenção de se tornar membro pleno. Iraque e Madagascar também demonstraram interesse em aderir ao grupo ou obter o status de parceiro. No Novo Banco de Desenvolvimento, o Uzbequistão tornou-se oficialmente membro em junho, enquanto o Irã anunciou a intenção de ingressar na instituição.
Durante a presidência em 2027, Pequim deverá priorizar projetos de inovação tecnológica, transição sustentável e integração econômica. A China também pretende associar a agenda do BRICS à Iniciativa Cinturão e Rota e ampliar as oportunidades comerciais oferecidas pelo mercado chinês.



