A SkyFit considera TotalPass e Wellhub parte permanente do mercado de academias e tenta transformar o fluxo desses aplicativos em novos clientes diretos. A rede, controlada por Caio Peres, projeta receita de R$ 800 milhões em 2026 e aponta a reforma tributária como um dos principais riscos para o setor.
A empresa tem 370 franquias em 22 estados, 1 milhão de alunos, outras 120 unidades em desenvolvimento e cerca de 160 locais aprovados à espera de franqueados. O ritmo de expansão está entre 10 e 15 inaugurações mensais. A SkyFit é a segunda maior rede no TotalPass, atrás da Smart Fit, e também está no Wellhub.
Estratégia com os agregadores
A SkyFit foi fundada em Americana, no interior de São Paulo, em 2020. A operação começou com cinco academias próprias, mas o modelo de franquias acelerou o crescimento. Em março deste ano, um ex-sócio da XP e um grupo de investidores compraram a empresa dos fundadores, e Peres assumiu como CEO. O relatório do BTG Pactual cita uma cifra de R$ 400 milhões para a transação, embora o valor não tenha sido divulgado publicamente.
O tíquete médio da rede é de R$ 149, e a empresa está entre as academias low cost. Pelo TotalPass, algumas unidades podem ser acessadas a partir do plano TP1, por R$ 59,90. No Wellhub, algumas franquias estão disponíveis desde o plano Basic, de R$ 69,99, conforme a localização.
A administração reconhece que os agregadores podem canibalizar parte dos clientes diretos, mas avalia que o impacto líquido é positivo porque as plataformas também atraem pessoas que poderiam não entrar no mercado de academias. “Os agregadores vieram para ficar. A oportunidade está em usá-los melhor”, afirmam os analistas do BTG Pactual.
A empresa usa dados das plataformas para diferenciar quem frequenta várias academias de quem repete os treinos em uma unidade da SkyFit. O segundo grupo é alvo de benefícios adicionais e ofertas personalizadas para a conversão em membros diretos.
A rede também considera que usuários de agregadores frequentam as academias com menos regularidade que os clientes que contratam planos diretamente. Com isso, a receita por treino se aproxima da registrada entre os alunos tradicionais, reduzindo, na avaliação da SkyFit e do banco, o efeito dos repasses às plataformas.
Riscos e espaço para expansão
Para a SkyFit, o principal adversário do setor é o brasileiro que não pratica exercícios. Apenas 7% da população brasileira está matriculada ou frequenta uma academia regularmente. A rede afirma, por isso, que o mercado não está saturado, apesar do aumento da concorrência.
A competição ocorre entre redes consolidadas e academias de bairro independentes. O modelo de franquias permite à SkyFit avançar também em cidades menores.
Peres aponta ainda a reforma tributária como uma ameaça relevante. Segundo o CEO, o impacto das novas regras sobre as franquias é subestimado, e uma possível alta da carga tributária, além de mudanças operacionais como o split payment, pode pressionar o capital de giro dos franqueados.
A empresa estuda alternativas para reduzir esses efeitos, incluindo novos modelos de financiamento de equipamentos e estruturas de suporte financeiro aos franqueados.
Para os analistas do BTG Pactual, a SkyFit entra em uma fase mais madura, com escala consolidada e espaço para crescer. O banco destaca a experiência de Peres no mercado financeiro e afirma que a rede deve ampliar o foco na qualidade dos dados, no suporte aos franqueados e no potencial dos agregadores dentro do setor.



