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Sem dragagem, Tapajós pode comprometer 5 milhões de toneladas de cargas

Fiepa estima impacto de até R$ 850 milhões e alerta para redução da navegação a partir de setembro e possível interrupção em outubro.

Sem dragagem, Tapajós pode comprometer 5 milhões de toneladas de cargas

A falta de dragagem de manutenção no rio Tapajós pode comprometer o transporte de aproximadamente 5 milhões de toneladas de cargas e provocar impacto econômico de até R$ 850 milhões, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). A hidrovia é federal, e a autorização e a coordenação do serviço dependem do governo federal.

O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, afirma que a redução do volume transportado pode começar em meados de setembro. A partir de outubro, a navegação pode ser interrompida em trechos afetados pela seca. Na última quinta (3), o Ministério de Portos e Aeroportos manteve a decisão de não realizar uma dragagem emergencial no rio por risco de interrupção da navegabilidade.

A dragagem retira areia, sedimentos e outros materiais do fundo do rio para manter a profundidade necessária à circulação de barcaças e outras embarcações. Durante a estiagem, a queda do nível da água e a formação de bancos de areia podem obrigar as empresas a reduzir as cargas ou suspender o transporte em pontos mais rasos.

Efeitos sobre cargas e arrecadação

Além de soja e milho, o Tapajós é usado no transporte de combustíveis e fertilizantes. A migração das cargas para as rodovias elevaria os custos logísticos, pressionaria os preços dos insumos e aumentaria as emissões. A Frente Parlamentar da Agropecuária estima custos adicionais de R$ 150 a R$ 250 por tonelada e emissão extra de aproximadamente 55 mil toneladas de carbono.

A Fiepa também prevê impacto sobre a arrecadação do Pará e de municípios próximos ao corredor logístico. Em 2025, uma interrupção mais curta teria causado perda de R$ 45,5 milhões, incluindo cerca de R$ 30 milhões em ICMS para o governo estadual e R$ 7,6 milhões para quatro municípios. Para 2026, a entidade avalia que as perdas podem ser maiores por causa da expectativa de uma seca mais severa e de uma interrupção mais longa.

A BR-163, principal ligação entre áreas produtoras do Centro-Oeste e terminais do Pará, já enfrenta congestionamentos e dificuldades operacionais. O acesso a Miritituba é apontado por Carvalho como um gargalo, enquanto terminais em Santarenzinho também dependem da navegabilidade do Tapajós.

Autorização e debate ambiental

Segundo Carvalho, o rio não recebe uma intervenção desse tipo há cerca de 12 anos. A operação atual seria uma dragagem pontual de manutenção, com volume inferior ao de intervenções em outros rios da Bacia Amazônica. A Secretaria de Meio Ambiente do Pará analisou o projeto e estabeleceu exigências de monitoramento e critérios socioambientais.

O presidente da Fiepa diz que há dragas no Amazonas a aproximadamente um dia e meio do Tapajós e que a operação depende de autorização da Presidência da República. Ele atribui a suspensão, em sua interpretação pessoal, ao risco de conflitos com comunidades locais e ao ambiente pré-eleitoral, mas afirma que apenas o governo federal pode informar oficialmente as razões.

O debate inclui a consulta prévia, livre e informada a comunidades indígenas e ribeirinhas. Carvalho reconhece que faltou diálogo e contesta a associação entre a dragagem de manutenção e uma eventual concessão da hidrovia. Ele também afirma que informações apresentadas em seminário técnico da Marinha indicam que o ponto de garimpo mais próximo fica a cerca de 135 quilômetros do trecho previsto para a intervenção.

As projeções mencionadas por Carvalho apontam condições de navegação ainda mais adversas em 2027. Para ele, a dragagem não eliminaria os riscos, mas reduziria os danos e daria mais previsibilidade a produtores, tradings e empresas que negociam cargas antecipadamente.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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