A XP considera favorável o momento para investir em títulos prefixados do Tesouro Direto, diante da expectativa de queda dos juros e das taxas ainda elevadas. Em relatório, a estrategista de investimentos Rachel de Sá afirma que esses papéis podem superar o CDI nos próximos anos quando mantidos até o vencimento.
Entre 2006 e 2025, os títulos Tesouro Prefixado, conhecidos como LTNs, tiveram retorno superior ao CDI em 68,8% das janelas de queda de juros analisadas. O levantamento também indica que os maiores ganhos acima do referencial ocorreram quando os juros partiram de níveis altos.
A Selic estava em 15% ao ano há poucos meses, o maior nível em quase duas décadas. A XP projeta a taxa em 13,25% no fim de 2026 e em 11,5% ao final de 2027. Nesse cenário, investimentos pós-fixados tendem a acompanhar a redução dos juros, enquanto quem contratar um prefixado mantém a taxa definida na compra.
Taxas e prazos
O Tesouro Prefixado 2029 oferecia 14,97% ao ano em junho de 2026. Três meses depois, a taxa era de 13,81%. Já o Tesouro Prefixado 2032 ainda apresentava remuneração na faixa dos 14% ao ano.
A análise da XP recomenda atenção ao prazo. Títulos mais longos são mais sensíveis às mudanças nas expectativas para juros, inflação e risco fiscal. No histórico avaliado, vencimentos de até três anos tiveram a melhor combinação entre risco e retorno. Por isso, a indicação é considerar prazos entre 1,5 e 3 anos.
A estratégia defendida pela XP é carregar os papéis até o vencimento, e não depender da marcação a mercado. A queda dos juros pode elevar o preço dos títulos e permitir uma venda antecipada com ganho, mas a taxa contratada tende a ter mais influência no retorno quando o investimento é mantido por mais tempo.
Em períodos superiores a um ano, cerca de 61 dos títulos avaliados no levantamento apresentaram ganhos acima de 10%. A XP resume a tese como a contratação de taxas próximas de 14% ao ano antes de um ciclo de redução dos juros, com manutenção da remuneração até o vencimento.



