O Brighton se mantém entre os times mais marcantes da Premier League após a saída de Roberto De Zerbi, em 2024. Sob o comando de Fabian Hurzeler, de 31 anos, a equipe preserva a construção desde a defesa e o uso de jogadores em diferentes posições, mas muda a forma de ocupar os espaços e pressionar.
A vitória por 3 a 0 sobre o Arsenal, no sábado (19), reforça essa transformação. Depois de cinco rodadas, o Brighton soma 16 gols, tem o melhor ataque da liga e ocupa a terceira colocação.
Pressão como estrutura
O time não apenas tenta recuperar a bola no campo adversário. Sua organização ofensiva já prepara a pressão após a perda da posse. Hurzeler costuma manter quatro ou cinco jogadores próximos da última linha rival ou imediatamente à frente dela. Assim, quando o adversário recupera a bola, o Brighton está perto o suficiente para atacar a jogada antes que ela se organize.
Dados da Opta mostram que 52,7% dos toques dos adversários acontecem sob alta pressão. O Brighton também registra média de 6,6 passes adversários por ação defensiva, a menor marca da competição. Até a partida contra o Arsenal, a equipe liderava a Premier League em recuperações a até 40 metros do gol rival, com 41. Charalampos Kostoulas aparecia na liderança individual em recuperações no terço final, enquanto 14,2% das pressões do time ocorriam dentro da área adversária.
A pressão também exige decisões coordenadas. Contra o Arsenal, Chema abandona sua referência para avançar sobre Martin Odegaard quando o meio-campista recua entre os zagueiros. Os demais jogadores ajustam suas posições, impedindo que o adversário transforme uma superioridade numérica em uma saída tranquila.
Risco e mobilidade
O modelo tem um risco claro: se o Brighton não recuperar a bola rapidamente, os espaços deixados à frente podem ser explorados. A linha defensiva precisa acompanhar cada avanço, fechar linhas de passe ou proteger os setores abandonados. Na derrota por 4 a 3 para o Chelsea, esses encaixes não funcionaram da mesma maneira.
A agressividade sem a bola se conecta ao ataque. Muitas jogadas começam com uma recuperação no campo adversário, quando o rival ainda está desorganizado. O Brighton também mantém trocas constantes de posição. A equipe pode iniciar em um 4-2-3-1, mas Pascal Gross pode recuar para participar da construção enquanto outro meio-campista avança.
Mesmo com a saída de Danny Welbeck e problemas físicos de Kaoru Mitoma e outros jogadores importantes, Hurzeler utiliza atletas jovens ou deslocados. Kostoulas ganhou protagonismo no ataque, e Maxim De Cuyper, originalmente lateral, passou a atuar mais avançado pela esquerda.
A ideia central continua ligada ao controle com a bola, à construção desde trás e à criação de superioridades. A diferença está na interpretação: em vez de controlar apenas ao atrair o adversário e encontrar espaços, o Brighton também tenta impedir que o rival estabeleça uma posse estável.



