Antonio Conte espera por um projeto que corresponda às suas ambições antes de voltar ao futebol. Aos 57 anos, o treinador italiano admite assumir um clube no meio da temporada, desde que a oportunidade faça sentido para seus objetivos.
A Premier League aparece entre os destinos que mais atraem Conte. O técnico conhece o futebol inglês por sua passagem pelo Chelsea, clube com o qual conquistou o campeonato em sua primeira temporada, em 2016/17. Para ele, o poder financeiro dos times do país aumentou ainda mais desde então.
“Na Inglaterra, hoje eles estão usando bazucas, enquanto em todo o resto ainda estão usando pistola”, afirmou.
Na janela de transferências do verão europeu de 2026, clubes da Premier League movimentaram 3,56 bilhões de libras, acima do recorde de 3,19 bilhões registrado no ano anterior. Foi o maior valor gasto por uma liga em uma única janela.
O mercado também registrou nove transferências para equipes da Premier League acima de 100 milhões de libras. O Manchester City desembolsou 125 milhões de libras por Enzo Fernández, igualando a marca britânica alcançada pelo Liverpool na contratação de Alexander Isak no ano anterior.
Conte ressalta que o dinheiro, por si só, não garante sucesso. “Você pode até ter o dinheiro, mas precisa gastá-lo com sabedoria”, disse. O treinador associa os bons resultados à capacidade de tomar decisões corretas, além do poder de investimento.
A passagem pelo Chelsea
A admiração de Conte pelo futebol inglês também envolve a pressão por grandes objetivos. Ele afirma que não se incomoda com a possibilidade de começar um trabalho durante a temporada, desde que encontre um clube com história e condições para recuperar uma identidade vencedora.
No Chelsea, o técnico chegou após uma temporada turbulenta. O time havia terminado a Premier League de 2015/16 em 10º lugar, e José Mourinho deixara o cargo em dezembro. Depois de um início irregular, Conte adotou um sistema com três defensores, transformando o desempenho da equipe.
O Chelsea venceu 13 partidas consecutivas, assumiu a liderança e encerrou a campanha com 93 pontos. Foram 30 vitórias em 38 rodadas, então o recorde da Premier League. “Foi um título da Premier League que conquistamos como azarões”, lembrou.
Conte deixou o clube depois de duas temporadas, com o título inglês e a Copa da Inglaterra de 2017/18. Também comandou Juventus, Inter, Napoli e a seleção italiana.
A busca por um projeto vencedor
A carreira do treinador inclui títulos nacionais por Juventus, Chelsea e Inter, mas também derrotas em decisões com a Itália. Ele foi vice-campeão mundial em 1994, diante do Brasil, e perdeu a final da Eurocopa de 2000 para a França.
Essa relação com a vitória ajuda a explicar por que Conte procura um trabalho de alta pressão. Para o italiano, os vencedores permanecem na memória, enquanto os derrotados são esquecidos. Por isso, ele não demonstra interesse em retornar apenas para preencher o currículo.
“Há muitos clubes que meio que perderam a história de vista. Eu gostaria de ir para um desses clubes para tirar a poeira dessa história e fazê-la brilhar mais uma vez.”



