A Data Fifa representa um intervalo necessário diante da transformação do futebol em um produto da indústria global do entretenimento, avalia Tim Vickery. Para ele, o período permite deixar temporariamente de lado disputas financeiras e concentrar a atenção no confronto entre seleções.
A avaliação ocorre após a imprensa inglesa revelar, na sexta-feira, que o Manchester City será declarado culpado por uma série de irregularidades financeiras cometidas ao longo de vários anos. Ainda há poucas informações sobre os detalhes do caso, mas Vickery considera enorme a dimensão do problema e prevê uma disputa prolongada nos tribunais.
O colunista afirma que clubes com proprietários de grande poder financeiro conseguem contratar os melhores advogados para recursos e pedidos de compensação. Na visão dele, isso amplia o caso e aumenta a sombra sobre o futebol, além de provocar dúvidas sobre títulos conquistados de maneira injusta e atingir torcedores e equipes que se consideram prejudicadas.
O esforço dos jogadores
Vickery também defende que as viagens e os compromissos da seleção brasileira devem ser vistos dentro da realidade profissional dos atletas. Uma viagem até a Austrália, em um calendário cheio, provoca cansaço e pode ameaçar o desempenho, mesmo quando há hotéis confortáveis e deslocamentos em primeira classe.
O jogador de elite, segundo ele, enfrenta ainda a pressão de ter o trabalho e o próprio valor julgados por milhões de pessoas. Essa responsabilidade aumenta quando o atleta defende a seleção e participa do processo de preparação para a Copa do Mundo.
Os clubes não têm interesse em perder seus jogadores durante essas viagens e prefeririam que eles se poupassem. Ainda assim, os atletas participam dos amistosos porque aceitam pagar esse preço em busca da glória em 2030 e da realização de sonhos cultivados desde a infância.
Para Vickery, a Data Fifa faz parte desse processo e preserva uma dimensão mais pura do futebol: a representação de um povo em campo.



