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Justiça

Estudo em Porto Alegre encontra maioria de recuperações com plano cumprido

Pesquisa analisou 29 processos entre 2008 e 2018 e registrou 66,66% de sucesso entre empresas avaliadas até o fim do procedimento.

Estudo em Porto Alegre encontra maioria de recuperações com plano cumprido

Uma pesquisa realizada no 2.º Juizado da Vara Empresarial de Porto Alegre identificou que 12 empresas cumpriram as obrigações previstas em seus planos de recuperação judicial. Outras seis tiveram o procedimento convertido em falência. Entre os casos cuja trajetória permitia avaliação, o índice de sucesso foi de 66,66%, enquanto o de insucesso ficou em 33,33%.

O levantamento examinou 29 processos que tramitaram ou ainda tramitavam na unidade entre 2008 e 2018. A coleta foi feita manualmente, com análise dos autos e de documentos disponibilizados pelos administradores judiciais. O estudo combinou pesquisa bibliográfica, jurisprudencial e empírica.

O que o resultado mostra

O resultado contrariou a percepção negativa que predominava sobre a recuperação judicial, mas não permite concluir que o instituto funcione em todos os casos ou que o índice encontrado represente a realidade nacional. A pesquisa indica que a efetividade do mecanismo precisa ser avaliada pelos resultados concretos dos processos, e não apenas pela quantidade de pedidos apresentados.

Entre os dados que uma estatística geral não esclarece estão o cumprimento dos planos, o encerramento das recuperações, a conversão em falência, o tempo de duração dos procedimentos e as condições econômicas das empresas no momento do pedido.

A pesquisa também relaciona o resultado ao momento em que a empresa busca a proteção judicial. Empresas ainda viáveis, mas afetadas por dificuldades temporárias, podem usar o procedimento para reorganizar o passivo e preservar a atividade. Já negócios sem capacidade operacional e financeira podem apenas prolongar uma situação de inviabilidade.

Cenário de 2026

O ambiente analisado mudou após a alteração da Lei nº 11.101/2005 pela Lei nº 14.112/2020. Ao mesmo tempo, o número de empresas submetidas ao regime recuperacional aumentou. O Monitor RGF-Bizdoc registrou 6.382 empresas em recuperação judicial ao final do primeiro semestre de 2026, alta de 6,5% no semestre e de 22% em doze meses. A Serasa Experian contabilizou 194 processos no primeiro trimestre de 2026, dos quais 76 foram registrados em março.

Esses números mostram a dimensão da crise empresarial, mas não permitem, isoladamente, afirmar que a recuperação judicial seja ineficiente. O aumento pode estar relacionado ao agravamento da crise, à maior utilização do instrumento, à mudança no perfil das empresas ou à combinação desses fatores.

O estudo defende a ampliação das pesquisas de campo para verificar quantas empresas superam a crise, cumprem seus planos, encerram o procedimento ou chegam à falência. A preservação da empresa, nesse contexto, deve estar vinculada à existência de viabilidade econômica, sem manter artificialmente atividades inviáveis.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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