Publicações nas redes sociais reúnem demissões, fechamentos de unidades e anúncios de reestruturação feitos em diferentes países para sustentar a ideia de que grandes empresas estariam abandonando o Brasil. Em vários casos, porém, as companhias continuam operando no mercado brasileiro.
A lista inclui Nestlé, Domino’s, Electrolux, Whirlpool, Volkswagen e Lupo. Os episódios atribuídos à Nestlé ocorreram na Hungria e na Alemanha. A Domino’s encerrou lojas na Austrália e na Nova Zelândia, e não no Brasil.
A Electrolux tomou decisões envolvendo unidades na Hungria e no Chile e anunciou uma reestruturação na Itália. Essas medidas foram apresentadas como se representassem um corte amplo nas operações brasileiras. Publicações sobre a Volkswagen também misturam demissões e decisões tomadas pela montadora com uma suposta retirada de atividades do país. A Whirlpool, dona de Brastemp e Consul, aparece em outra sequência semelhante.
Casos apresentados fora de contexto
A brasileira Lupo abriu uma fábrica no Paraguai, mas continua atuando no mercado nacional. Nas redes sociais, a inauguração foi apresentada como uma transferência da produção brasileira para o exterior.
As dificuldades das Casas Bahia e de outras empresas do varejo são reais, mas foram colocadas ao lado de acontecimentos ocorridos no exterior e de situações sem relação direta com a conjuntura econômica. Com isso, episódios diferentes aparecem como sinais de um único colapso empresarial.
Outro caso envolve a Isover Saint-Gobain, em São Paulo. A fábrica encerrou a produção depois de um acordo entre a companhia e o Ministério Público, após reclamações de moradores sobre os impactos da atividade da unidade. O encerramento, portanto, não é evidência de uma crise econômica provocada pelo governo federal.
Recuperação judicial não significa falência
O aumento dos pedidos de recuperação judicial também é usado para reforçar a percepção de colapso. O Brasil registrou, em 2025, o maior número de solicitações da série histórica considerada. Esse indicador não significa necessariamente que as empresas tenham quebrado.
O número de falências registrado naquele ano foi o menor desde 2012. A recuperação judicial busca preservar empresas em dificuldades financeiras e manter suas atividades, o que pode evitar impactos sobre fornecedores, funcionários e outras companhias dependentes delas.
O material circulou por WhatsApp e foi compartilhado pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, e por Pablo Marçal (PRTB).



