O presidente Donald Trump afirma que se arrepende de ter indicado Neil Gorsuch, Brett Kavanaugh e Amy Coney Barrett para a Suprema Corte dos Estados Unidos. A declaração ocorre em entrevista à revista Time, na Casa Branca.
As nomeações foram feitas durante o primeiro mandato de Trump, de 20/1/2017 a 20/1/2021. Desde então, a corte passou a ser formada por seis ministros conservadores-republicanos e três ministras liberais-democratas.
Trump diz que os três ministros escolhidos por ele votam a favor do governo na maior parte das vezes, mas considera esse resultado insuficiente. “Eles votam contra mim com muita frequência”, afirma. O presidente também diz que deu aos ministros um cargo vitalício e que eles também votam a seu favor.
Reclamações sobre decisões
Na Truth Social, Trump já havia criticado os ministros após votos desfavoráveis. “Essas não são as pessoas que eu entrevistei para servir na Suprema Corte dos Estados Unidos. São apenas uma sombra do que mostraram ser originalmente”, escreveu.
Entre as decisões que contrariaram o presidente estão a derrubada do decreto que impunha tarifas recíprocas a quase todos os países do mundo e a manutenção da cidadania automática para crianças nascidas nos Estados Unidos, mesmo quando os pais são imigrantes ilegais ou estão temporariamente no país.
No caso das tarifas, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett votaram contra Trump, enquanto Brett Kavanaugh votou a favor. Sobre a cidadania por nascimento, Kavanaugh e Barrett votaram contra o presidente, e Gorsuch votou a favor.
Trump também critica a decisão que garante cidadania por nascimento. “A cidadania por nascimento está se tornando um grande negócio. As pessoas estão fazendo milhões e milhões de dólares e nós estamos perdendo trilhões de dólares”, declara.
Decisões favoráveis
A Suprema Corte decidiu, em Trump v. United States (2024), que ex-presidentes têm imunidade absoluta por atos praticados no exercício de poderes constitucionais, presunção de imunidade por outros atos oficiais e nenhuma imunidade por atos não oficiais. A decisão foi tomada por 6 votos a 3.
Em Trump v. CASA (2025), também por 6 votos a 3, a corte decidiu que juízes federais não podem conceder liminares válidas para todo o país contra políticas do governo. Em 2025, a Suprema Corte decidiu a favor de Trump em 20 de 24 casos de emergência.
Em Trump v. Slaughter (2026), a corte ampliou o poder presidencial para demitir dirigentes de órgãos públicos independentes. Em Trump v. California (2026), decidiu, por 6 votos a 3, manter decreto que orienta o Departamento de Segurança Nacional a disponibilizar aos estados listas de cidadania para a verificação de eleitores.
Trump afirma admirar as três ministras liberais, que descreve como leais e unidas. Ao ser questionado se deseja lealdade dos ministros que indicou, responde: “Sim, eu realmente aprecio a lealdade”. Em seguida, acrescenta que quer “boas decisões”.


