DUBLIN — A declaração de Donald Trump em defesa da unificação da Irlanda provoca reação negativa de unionistas e políticos britânicos durante a visita do presidente dos Estados Unidos ao país. Trump afirma que uma Irlanda unificada acabará acontecendo e sugere que o primeiro-ministro Micheál Martin pode ajudar a conduzir o processo.
Em uma fala neste sábado (12/09), o presidente diz que, se a mudança é considerada melhor, deveria ocorrer agora. Trump também reconhece que o Reino Unido terá participação na questão e questiona como a unificação poderia ser prejudicial.
O governo de Micheál Martin afirma que os comentários não alteram sua posição. Um porta-voz declara que o Executivo permanece comprometido com o Acordo da Sexta-Feira Santa e com o programa de governo.
A porta-voz do primeiro-ministro Andy Burnham diz que a posição sobre a unificação permanece inalterada. Segundo ela, Burnham continua fiel ao Acordo da Sexta-Feira Santa 100% e não apoiará um referendo sem respaldo da maioria da população.
Reações na Irlanda
A presidente irlandesa, Catherine Connolly, usa um encontro com Trump para defender a oposição da Irlanda à guerra e ao genocídio. Ela afirma que a normalização desses fenômenos jamais pode ser aceita e menciona a experiência do país com fome, colonização, violência do Conflito na Irlanda do Norte e o processo de paz.
Mary Lou McDonald, líder do Sinn Féin, pede que Trump aplique à Palestina as lições do processo de paz da Irlanda do Norte. Ela também defende que Washington encerre a venda de armas a Israel e pare de facilitar o genocídio do povo palestino.
Kemi Badenoch, líder da Oposição e do Partido Conservador, acusa Trump de falar sem pensar e classifica as declarações como profundamente contraproducentes.
Protestos em Dublin
Dezenas de pessoas protestam no centro de Dublin contra a visita presidencial, com faixas, bandeiras e gritos contra Trump. Manifestantes também se reúnem em Doonbeg, perto do hotel onde o presidente está hospedado para assistir ao Aberto da Irlanda.
A visita dura dois dias e inclui reuniões políticas e uma parada no resort de golfe de Trump em Doonbeg. A Organização Trump compra o hotel e o campo de golfe em 2014, quando os empreendimentos estão em processo de falência, por um valor estimado em 15 milhões de euros, cerca de 17 milhões de dólares.




