O G7 anuncia uma liberação coordenada de 100 milhões de barris de diesel e outras reservas para tentar estabilizar os mercados globais de energia. A operação será feita por meio da Agência Internacional de Energia (AIE), começa imediatamente e terá duração de quatro meses.
A decisão ocorre após o diesel atingir altas históricas de até 40% no Reino Unido e na União Europeia. Nos Estados Unidos, o combustível chega ao preço recorde de US$ 6,38 por galão, o dobro do valor registrado um ano atrás.
O comunicado do grupo prevê uma oferta antecipada e significativa de diesel nos primeiros 20 dias, com participação dos membros e parceiros do G7. A entidade também solicita que a AIE acompanhe a execução dos compromissos e apresente, em até 20 dias, um relatório com recomendações para respostas futuras e recomposição de estoques.
A gasolina é usada principalmente em veículos de passeio. Já o diesel abastece o transporte de cargas, o maquinário agrícola, a construção civil e a indústria. Por isso, uma redução na oferta ou uma alta do combustível pode elevar os custos de transporte e das operações com máquinas pesadas. O aumento pode ser repassado aos consumidores e pressionar a inflação e o custo de vida.
Na Europa, a dependência do diesel é maior por causa de décadas de incentivos, como vantagens fiscais, segundo Georg Zachmann, do Bruegel. A União Europeia tem excedente estrutural de gasolina, que exporta, e déficit de diesel, que precisa importar.
Fatores da alta
O texto do G7 relaciona a pressão nos preços aos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O confronto entre Estados Unidos e Irã prejudica o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do combustível consumido no mundo, e danifica refinarias na região. Ataques de drones ucranianos também atingem refinarias russas e reduzem a produção e a exportação de diesel refinado.
A Rússia é o segundo maior exportador do combustível, atrás dos Estados Unidos. O problema global passou da falta de combustível para a limitação da capacidade de refino em funcionamento. As refinarias produzem proporções específicas de gasolina e diesel a partir do petróleo bruto, o que impede o aumento rápido da produção de apenas um dos combustíveis.
Um relatório da Transport & Environment calcula que motoristas europeus gastam, em média, 30 euros a mais — cerca de R$ 177 — para abastecer um tanque de 50 litros de diesel desde o início da guerra no Irã.
Além da liberação das reservas, o G7 afirma que vai coordenar os calendários de manutenção das refinarias para evitar paralisações simultâneas e elevar temporariamente a utilização das unidades quando possível. O grupo também pede a países com capacidade relevante de refino que ampliem a produção de derivados, especialmente diesel.



