O vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, lidera uma delegação do país aos Estados Unidos para uma nova rodada de consultas econômicas e comerciais entre 19 e 23 de setembro. O anúncio foi feito pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM) neste sábado (19).
As negociações tratam de temas de interesse mútuo e seguem o consenso estabelecido anteriormente pelos chefes de Estado dos dois países. A agenda ocorre após uma conversa telefônica, na última quinta-feira, entre o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Tarifas e comércio bilateral
A rodada busca consolidar avanços das negociações realizadas em maio, na Coreia do Sul. Na ocasião, China e Estados Unidos trataram de tarifas, barreiras não tarifárias e medidas para ampliar o comércio bilateral, especialmente no setor agrícola.
O pesquisador He Weiwen, do Centro para a China e a Globalização, afirma que o novo encontro pode dar continuidade aos resultados obtidos e criar um ambiente mais previsível para empresas e mercados. O mecanismo de consultas também inclui a criação de conselhos de comércio e investimento.
Os dois países concordaram, em princípio, em reduzir tarifas em escala equivalente para produtos de interesse mútuo. As equipes também mantêm comunicação sobre uma proposta de acordo para diminuir reciprocamente as tarifas, envolvendo US$ 30 bilhões em produtos de cada país, informou o porta-voz do MOFCOM, He Yadong.
O comércio entre China e Estados Unidos registrou crescimento por cinco meses consecutivos até agosto. Nos primeiros oito meses do ano, o valor acumulado chegou a 2,76 trilhões de yuans, com alta de 1,3%, segundo a alfândega chinesa.
Tecnologia e agenda diplomática
A inteligência artificial aparece como outro eixo de cooperação. Huo Jianguo, ex-diretor da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, defende coordenação entre os dois países para estabelecer padrões, ampliar a adoção tecnológica e equilibrar restrições ao desenvolvimento.
China e Estados Unidos também discutem novos contatos entre os chefes de Estado ainda este ano, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun. Wang Yi afirmou a Marco Rubio que as relações bilaterais avançam em direção a uma estabilidade estratégica construtiva e que os próximos intercâmbios devem seguir os princípios de igualdade, respeito e benefício mútuo.
No final de agosto, Wang se reuniu com o embaixador dos EUA na China, David Perdue. Nos dias 16 e 17 de setembro, os Estados Unidos devolveram à China 64 peças, entre obras de arte, artefatos culturais e fósseis paleontológicos.
Divergências permanecem
Pequim também cobra mudanças nas medidas restritivas adotadas por Washington nos campos tarifário e tecnológico. No dia 8 de setembro, agências norte-americanas acusaram empresas chinesas de fazer destilação de dados em escala industrial para replicar capacidades de modelos avançados de inteligência artificial dos EUA. A China rejeitou as alegações, classificando-as como infundadas e sem base jurídica.
Na sexta-feira, o governo americano sancionou uma lei que amplia as sanções contra a Rússia e o Irã e autoriza tarifas secundárias de até 100% sobre países terceiros que importem petróleo ou gás natural russos. O MOFCOM criticou a medida e disse que a China adotará ações para proteger sua soberania e seus interesses, além de pedir prioridade ao diálogo.



