WASHINGTON — Donald Trump e Xi Jinping confirmam a prorrogação, por dois meses, da trégua tarifária entre Estados Unidos e China. O acordo venceria em 10 de novembro e, segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, passa a valer até fevereiro.
A extensão reduz temporariamente o risco de uma nova escalada comercial entre as duas maiores economias do mundo. Não há, porém, um acordo definitivo sobre os principais temas da relação bilateral.
Disputas permanecem
Trump recebe Xi em Washington após mais de uma década sem a presença do líder chinês na Casa Branca. A programação inclui recepção na base aérea de Andrews, hinos nacionais, um passeio no helicóptero Marine One e um jantar de gala com veloutê de abobrinha amarela, robalo crocante de gergelim e sorvete de mel da Casa Branca.
Na conversa, Trump chama a relação com Xi de “uma amizade verdadeiramente grande”. O líder chinês adota um tom mais formal e afirma que os dois países carregam uma responsabilidade histórica. Em maio, durante um encontro em Pequim, Xi menciona a armadilha de Tucídides, conceito que descreve o risco de conflito entre uma potência em ascensão e outra já estabelecida. Em Washington, ele repete que o risco pode ser superado com diálogo e confiança mútua.
A inteligência artificial é um dos pontos de atrito. Xi defende que a tecnologia permaneça sob controle humano e voltada ao bem-estar das pessoas. Os dois países discutem um mecanismo de notificação para incidentes envolvendo IA.
Taiwan também está no centro das negociações. Xi pede prudência a Trump e o fim permanente da venda de armas norte-americanas para a ilha, considerada por Pequim o tema mais sensível da relação bilateral. Trump já havia tratado o armamento como possível moeda de troca nas negociações.
Na questão do Irã, Xi pede que Trump encerre o conflito por meio de negociação. A China é a principal compradora do petróleo iraniano e resiste às pressões norte-americanas para usar essa influência em favor de Washington.
Comércio e tecnologia
A China quer o afrouxamento das restrições dos Estados Unidos à exportação de chips avançados. Os norte-americanos buscam ampliar o espaço para produtos agrícolas no mercado chinês.
Os controles sobre chips, softwares e equipamentos de fabricação de semicondutores continuam rígidos. A política norte-americana tenta frear o avanço chinês na corrida por inteligência artificial, mantendo o setor como ponto de atenção para os mercados.
A trégua tarifária é vista como um sinal de alívio para ativos de risco e empresas expostas ao comércio exterior, mas a extensão por apenas dois meses indica que a pressão de Trump continua. Um novo encontro pode ocorrer no G20, em dezembro, em Miami.
Apesar dos gestos públicos de aproximação, analistas mantêm dúvidas sobre acordos duradouros. As importações chinesas para os Estados Unidos continuam crescendo, e a China caminha para registrar, pelo segundo ano seguido, um superávit comercial de US$ 1 trilhão com os norte-americanos.
Como gesto simbólico, Xi anuncia o envio de dois pandas ao zoológico de Atlanta e convida 100 mil jovens norte-americanos para estudar na China nos próximos cinco anos. Ele chama os estudantes de embaixadores da amizade.



