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Política

Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Relatório reservado enviado ao governo, ao TSE e ao Ministério da Justiça aponta escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil.

Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. Um relatório reservado, encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, também indica uma tendência de escalada da pressão norte-americana sobre o Brasil.

O documento classifica a possibilidade de interferência externa com um nível de criticidade e relaciona a avaliação à prioridade do segundo governo de Donald Trump de reafirmar a hegemonia dos Estados Unidos na América Latina. A análise afirma que a estratégia busca afastar rivais, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região.

Tarifas e medidas contra o Brasil

A Abin avalia que as ações dos Estados Unidos contra o Brasil se intensificaram nos últimos meses. Além do risco de ingerência nas eleições, o relatório cita medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais.

Desde abril de 2025, produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos são alvo de tarifas. Inicialmente, a cobrança de 10% atingiu vários países. Em 30 de julho, Trump assinou uma Ordem Executiva que classificou o Brasil como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos e elevou a tarifa total para 50%.

Em julho, os Estados Unidos também anunciaram uma sobretaxa de 25%, que atingiu 19% das exportações brasileiras. Dias depois, uma tarifa adicional de 12,5% foi aplicada sob a justificativa de que o Brasil não teria mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo brasileiro classificou a medida como arbitrária e injustificada.

Atualmente, parte dos produtos exportados para os Estados Unidos pode ser tributada em até 37,5%. As justificativas norte-americanas também envolveram o PIX, a regulação das redes sociais, o desmatamento ilegal e acordos preferenciais do Brasil com México e Índia.

Relação entre Lula e Trump

Apesar das medidas, o governo brasileiro busca preservar as relações diplomáticas e comerciais. Luiz Inácio Lula da Silva afirma que mantém bom relacionamento pessoal com Trump, mas também critica decisões do governo norte-americano.

Os dois presidentes se reuniram pela primeira vez em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral da ONU. Depois, encontraram-se em Kuala Lumpur, na Malásia, e, em maio deste ano, em Washington. Nesta última reunião, Lula apresentou documentos para contestar a acusação de práticas desleais na relação comercial e acertou a criação de uma mesa de negociação entre os governos.

Brasil e Estados Unidos também anunciaram, em abril, um acordo de cooperação contra o tráfico internacional de armas e drogas. Além dos encontros presenciais, os presidentes conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A ligação mais longa durou 1h20 e ocorreu em agosto.

Os dois participarão da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima terça-feira (22). Lula fará a abertura do Debate Geral, seguido pelo discurso do presidente dos Estados Unidos. Não há encontro bilateral marcado entre eles.

Texto produzido pela Redação Fato em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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