Medidas que enfrentam ao mesmo tempo a poluição do ar e as mudanças climáticas podem elevar o Produto Interno Bruto (PIB) global em 2,8% até 2035 e em 4,5% até 2050. A estimativa está em um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
A implementação das ações integradas exigiria cerca de 0,7% do PIB global ao longo da próxima década. Para cada US$ 1 investido, o levantamento calcula aproximadamente US$ 15 em benefícios econômicos totais. Considerando apenas ganhos de mercado, como a redução de despesas hospitalares e o aumento da produtividade, o retorno seria de cerca de US$ 4 por dólar aplicado.
A demora também teria impacto econômico. Cada ano sem a adoção das medidas representaria a perda de mais de US$ 1,5 trilhão, equivalente a 0,5% do PIB mundial em benefícios diretos e indiretos não aproveitados.
Medidas e efeitos econômicos
O estudo identifica 25 medidas capazes de reduzir simultaneamente a poluição atmosférica e as emissões de gases de efeito estufa. Entre elas estão a expansão das fontes renováveis de energia, o incentivo aos veículos elétricos, o acesso a alternativas mais limpas para cozinhar, o uso mais eficiente de fertilizantes e o fim da ventilação rotineira em operações de extração de petróleo e gás.
As duas crises têm causas comuns, como a queima de combustíveis fósseis, processos industriais poluentes e práticas agrícolas inadequadas. O estudo afirma que a atuação conjunta acrescentaria 0,2% ao crescimento econômico global, acima do resultado obtido com políticas isoladas.
Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma, afirma que as ferramentas necessárias já existem, mas dependem de coordenação entre governos, instituições financeiras e empresas. Para Simon Dietz, copresidente da avaliação e professor de política ambiental na London School of Economics, tratar os problemas separadamente leva a uma subestimativa dos benefícios da ação conjunta.
Em 2022, mais de 2% do PIB mundial foram destinados a subsídios aos combustíveis fósseis. Em 2023, cerca de 9% do PIB global foi direcionado a despesas de saúde.
Impacto na saúde
O diagnóstico do Pnuma estima que, em 2025, 6,4 milhões de mortes prematuras no mundo estejam associadas à exposição à poluição atmosférica externa causada por atividades humanas. A poluição do ar dentro das residências esteve ligada a 2 milhões de mortes prematuras no mesmo período, incluindo cerca de 300 mil crianças.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 99% da população mundial respira ar com níveis de poluição acima dos limites considerados seguros. Os ganhos esperados com a integração das agendas incluem a redução de gastos médicos, o aumento da produtividade, a prevenção de danos materiais e a diminuição de mortes prematuras.
Canadá e China já incorporam formalmente o combate à poluição atmosférica às metas climáticas. Na China, as políticas adotadas reduziram em quase 60% os níveis de poluentes capazes de chegar à corrente sanguínea entre 2013 e o final do ano passado. No mesmo período, a proporção de internações hospitalares relacionadas a complicações causadas pela poluição caiu 30%.



