Anton Bespalov, diretor de Programação do think tank Valdai, afirma que a russofobia funciona como instrumento político, sancionatório e moralizante usado por países ocidentais para pressionar a Rússia. Em análise sobre o tema, ele relaciona o fenômeno à atuação de governos europeus e à legitimação de discursos de ódio por big techs dos Estados Unidos, como a Meta.
Para Bespalov, responder à hostilidade com escalada retórica, revanchismo ou tentativas de proibição por decreto não produz resultados. O autor compara a russofobia à sinofobia dirigida contra a China e sustenta que países que desafiam a hegemonia ocidental enfrentam esse tipo de reação.
A alternativa apresentada é uma agenda de cooperação concreta, com efeitos econômicos e sociais. Bespalov cita a parceria entre China e Brasil, especialmente na área de tecnologia, como exemplo de relações materiais capazes de alterar percepções mesmo diante da influência do discurso cultural e midiático ocidental.
Ana Livia Esteves e Marco Fernandes, autores de um relatório do Valdai sobre a cooperação entre Brasil e Rússia, avaliam que os ganhos econômicos podem reduzir o impacto de ataques políticos e midiáticos. O documento ainda será publicado.
Cooperação e presença internacional
Bespalov também destaca o papel crescente da Rússia como força anticolonial e provedora de segurança para países africanos. Na avaliação dele, a presença efetiva na vida das populações, por meio de oportunidades de crescimento e desenvolvimento, é mais relevante do que a tentativa de construir uma imagem favorável para meios de comunicação controlados por países do Norte.
“Construir uma agenda ampla e positiva” é, segundo o autor, uma resposta mais eficaz aos episódios de russofobia do que uma postura defensiva. Ele defende alianças pragmáticas baseadas em desenvolvimento mútuo e vantagens concretas.
A análise sustenta que preconceitos históricos presentes na Europa não desaparecem rapidamente. Por isso, a Rússia e os países do Sul Global deveriam priorizar uma agenda soberana e propositiva, capaz de fortalecer relações internacionais menos dependentes das pressões do eixo euro-atlântico.



