A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, provoca reações de candidatos da oposição e de integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O afastamento ocorre no contexto da investigação sobre o escândalo do Banco Master e repercute na campanha eleitoral.
Mendonça determinou a suspensão de Andrei nesta terça-feira, 8. A medida foi tomada após revelações de que o diretor teria investigado ilegalmente o ministro e produzido um relatório usado pelo ministro Alexandre de Moraes para contra-atacar Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master.
Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo, comemorou a decisão. O partido apresentou a ação no STF que levou ao afastamento. Zema afirmou que a legenda seguirá atuando contra os chamados “intocáveis”. Uma publicação do candidato também menciona um relatório de 200 páginas e referências a Andrei no celular de Daniel Vorcaro.
Ronaldo Caiado, candidato ao Planalto pelo PSD, classificou a decisão de Mendonça como firme e corajosa. Ele afirmou defender a atuação conjunta de lei e ordem, sem politização, e disse que as instituições de Estado devem agir com imparcialidade e respeito à Constituição.
O senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL, declarou apoio a Mendonça e afirmou que Andrei Rodrigues não tem condições de continuar no comando da Polícia Federal. Guilherme Derrite, deputado federal e candidato ao Senado pelo PP em São Paulo, também parabenizou o ministro. Para Derrite, a PF não pode servir a um governo, ministro ou projeto de poder.
Reação governista
José Guimarães, ministro das Relações Institucionais e integrante do PT, chamou o afastamento de descabido, além de uma intromissão e de uma medida eleitoral. Ele afirmou que a apuração de eventuais indícios de delitos é adequada, mas questionou a decisão sobre o afastamento.
Lindbergh Farias, deputado federal do PT-RJ e candidato à reeleição, acusou Mendonça de tentar interferir nas eleições para proteger Flávio Bolsonaro. O parlamentar também afirmou que o caso Dark Horse está parado há mais de 100 dias no gabinete do ministro.
Marcelo Freixo, ex-presidente da Embratur e candidato à Câmara dos Deputados em outubro, fez crítica semelhante. Ele lembrou a paralisação do inquérito sobre o caso Dark Horse e disse que o governo Lula deu liberdade e autonomia à PF. Andrei Rodrigues foi nomeado por Lula no início do terceiro mandato presidencial, em 2023.



