Organizações da sociedade civil lançam a campanha #VotePeloCerrado para pressionar candidatos às eleições deste ano a assumir compromissos com a proteção do bioma e dos povos que vivem nele. Uma carta-compromisso está disponível para assinatura no site votepelocerrado.org.br.
A mobilização ocorre no Dia Nacional do Cerrado e busca colocar as pautas ambientais do bioma entre as prioridades do pleito. O Cerrado concentra nascentes que abastecem oito das 12 principais bacias hidrográficas do país. Mais de 50% da vegetação nativa foi destruída, enquanto os rios registram redução média de 27% na vazão.
Compromissos propostos
O documento é destinado a postulantes a cargos no Executivo e no Legislativo. Entre as medidas defendidas estão o reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional, a proteção das águas como direito fundamental e a garantia de terra, território e autodeterminação para os povos.
A agenda também inclui o combate à grilagem e à violência no campo; a consulta livre, prévia e informada diante de grandes empreendimentos; o incentivo à agroecologia e à agricultura familiar; a valorização da sociobiodiversidade e da soberania alimentar; além de saúde, educação, participação popular e condições dignas de vida.
Para Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), a conservação exige planejamento de longo prazo. “Precisamos eleger parlamentares que compreendam a importância do Cerrado e não tenham uma visão imediatista que pode comprometer o nosso futuro.”
A secretária executiva da Rede Cerrado, Ingrid Silveira, afirma que os candidatos devem defender políticas voltadas à agricultura familiar, à agroecologia e à sociobiodiversidade, com garantia de território, crédito e acesso a mercados.
Mobilização e escolha eleitoral
A Rede Cerrado reúne mais de 500 organizações por meio de associadas, enquanto a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado articula mais de 60 entidades. A mobilização envolve povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, movimentos socioambientais e organizações de conservação da natureza.
Durante o lançamento online, Samuel Leite Caetano, presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), defendeu a escolha de representantes comprometidos com a regularização fundiária, a demarcação e a gestão dos territórios tradicionais. Representante do povo geraizeiro, que vive no norte de Minas Gerais, ele também afirmou que a proteção do Cerrado interessa a todo o país por causa das águas e dos grandes rios.
Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, relaciona a campanha ao momento político e à necessidade de eleger políticos atentos aos biomas e ao clima. Ela cita a crise climática e a chegada do El Niño como fatores que ampliam a importância da escolha dos candidatos.



