A candidata do PT a deputada federal por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, denuncia ter recebido e-mails com ameaças racistas de morte e estupro na manhã de sábado (5). As mensagens também citam dados pessoais da candidata e fazem ameaças a familiares.
Ana Elisa, natural de Divinópolis, registra boletim de ocorrência depois do envio dos textos. O caso é levado às autoridades como notícia de crime. Segundo o registro feito na 142ª Companhia da Polícia Militar, a ocorrência é classificada como ameaça, prevista no artigo 147 do Código Penal, e injúria racial.
A candidata apresenta prints dos e-mails em uma base comunitária móvel e relata que já havia recebido outra mensagem de teor semelhante. O material inclui conteúdo de ódio racial, ameaças explícitas de violência sexual e morte e referências a grupos extremistas. O remetente afirma integrar um grupo supremacista branco.
Por segurança, a campanha não divulga a íntegra das mensagens nem identifica publicamente o grupo mencionado. As providências policiais e judiciais são adotadas para tentar descobrir a autoria, enquanto detalhes da investigação são preservados para não comprometer o trabalho das autoridades.
Avaliação jurídica
Em parecer técnico-jurídico, a advogada Maria Júlia A. Alvim, inscrita na OAB/MG sob o número 240.536, afirma que o episódio não deve ser tratado como debate político. A equipe jurídica aponta indícios de ameaça, racismo e violência política de gênero.
A legislação eleitoral prevê violência política de gênero quando uma agressão busca impedir ou restringir a participação política de uma mulher por causa do gênero. No caso, a campanha também relaciona o ataque à violência racial.
A equipe afirma que registros técnicos podem ajudar a identificar autores que usam o anonimato para ameaçar, perseguir ou intimidar vítimas. A campanha declara que manterá a denúncia, a investigação, a responsabilização e a continuidade da candidatura nas ruas.



