O governo de Cuba calcula que o embargo dos Estados Unidos causou perdas superiores a US$ 8 bilhões, equivalentes a R$ 40,9 bilhões, entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O valor é recorde e representa alta de 7% em relação ao período anterior, conforme relatório apresentado pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, na segunda-feira (7).
O cálculo não considera os efeitos do chamado “bloqueio energético”, em vigor nos últimos sete meses, nem das “sanções secundárias” aplicadas desde maio contra entidades cubanas. Desde janeiro, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça punir países que forneçam combustível à ilha.
Cuba está submetida a sanções americanas desde 1962. O relatório afirma que apenas um petroleiro russo chegou ao país desde o início deste ano. Em maio, Washington também começou a impor medidas contra empresas estrangeiras que mantêm relações comerciais com Cuba, levando companhias a deixar o território, sobretudo nos setores de turismo e mineração.
Impactos na população
Rodríguez afirma que as restrições atingem serviços essenciais e contribuem para o agravamento da crise energética. Os apagões podem durar mais de 60 horas consecutivas. A dificuldade para obter combustível e a pressão sobre empresas de transporte marítimo afetam o abastecimento de água, o transporte e a saúde.
O chanceler relata que cirurgias são realizadas com lâmpadas recarregáveis e que equipes médicas usam lanternas de celulares. Ele também cita o aumento da mortalidade infantil: o índice passou de quatro mortes a cada mil nascidos vivos em 2018 para 9,9 em 2025.
“O bloqueio não pune um governo; pune o cotidiano de um povo em todos os seus aspectos”, afirmou Rodríguez. Apesar dos efeitos descritos, o ministro rejeitou a existência de uma emergência humanitária e declarou: “Não haverá uma crise humanitária em Cuba”.



