BONITO DE MINAS — A Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos Ltda., empresa da qual Augusto Cury é sócio, pediu autorização para retirar vegetação nativa de 994 hectares de Cerrado na Fazenda Santa Maria da Vereda, em Bonito de Minas, no Norte de Minas Gerais. O plano prevê 500 hectares para agricultura e 494 hectares para pecuária.
A propriedade tem 6.427,4061 hectares e está registrada em Januária, conforme o processo nº 2100.01.0014168/2024-35, analisado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). O pedido foi formalizado em junho de 2024.
Análise ambiental
O parecer técnico estima que a retirada dos 994 hectares produziria 9.054,36 metros cúbicos de lenha de floresta nativa. O material teria como destino o uso interno no imóvel ou empreendimento e/ou a incorporação ao solo. Os documentos não comprovam que a vegetação tenha sido efetivamente retirada.
A área está no bioma Cerrado, com vegetação classificada como Cerrado stricto sensu. O IEF registra vulnerabilidade natural “muito alta”, prioridade “extrema” para conservação e localização dentro da Área de Proteção Ambiental Estadual do Rio Pandeiros. O parecer também menciona espécies vegetais protegidas e espécies de fauna enquadradas em categorias de proteção ou ameaça.
Segundo a análise do órgão, o empreendimento foi enquadrado sem considerar corretamente um critério locacional de peso 2, aplicado à supressão de vegetação nativa em área de importância biológica “extrema” ou “especial”. Com isso, o processo deveria seguir outra modalidade de licenciamento e ser analisado pela Unidade Regional de Regularização Ambiental Norte de Minas.
O IEF opinou pelo indeferimento do requerimento, decisão publicada em outubro de 2024.
Recurso e patrimônio
A Filadélfia Nature recorreu da decisão. Em 9 de abril de 2025, o governo de Minas registrou o desarquivamento do processo, considerando o recurso administrativo e as manifestações técnica e jurídica. A reabertura não representa autorização para retirar a vegetação.
Não foi localizada decisão posterior autorizando a supressão dos mesmos 994 hectares.
Augusto Jorge Cury aparece como sócio da empresa desde sua constituição, em novembro de 2016. A companhia tem capital social declarado de R$ 18,61 milhões e também reúne Suleima Cabrera Farhate Cury, Camila Farhate Cury Oliveira, Carolina Farhate Cury e Claudia Helena Farhate Cury, que figura como sócia-administradora.
Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, Cury informou patrimônio total de R$ 242.281.162,52. Entre os bens, declarou R$ 15.607.925 em quotas da Filadélfia Nature e R$ 121.190.451,65 em um empréstimo mútuo ligado à companhia. Os dois registros somam aproximadamente R$ 136,8 milhões.
Até o fechamento, a Filadélfia Nature e Augusto Cury não haviam respondido aos questionamentos sobre a propriedade da fazenda, a finalidade do empreendimento, a situação do processo e eventual retirada de vegetação. O espaço permanece aberto para manifestação.



