SÃO PAULO — O governo Luiz Inácio Lula da Silva apresenta sete projetos ferroviários de curta extensão, com trechos voltados ao transporte de cargas e passageiros. A carteira abrange seis estados e o Distrito Federal, e o Ministério dos Transportes prevê levar pelo menos dois projetos a leilão até o fim de 2026.
As propostas são apresentadas a empresas e bancos durante um evento em São Paulo. Os trechos atravessam as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Entre os usos previstos estão o transporte de produtos agrícolas e minerais e o deslocamento regional de passageiros.
A ligação entre Brasília e Luziânia (GO) tem 60,5 quilômetros e é projetada para passageiros. Em Minas Gerais, o trecho General Carneiro-Miguel Burnier possui 92 quilômetros e combina potencial para minério e siderurgia com vocação turística. Na Paraíba, a ferrovia entre Campina Grande e Cabedelo tem 163,2 quilômetros e pode funcionar como corredor logístico multimodal, com possibilidade de integração urbana.
Trechos para transporte de cargas
A carteira inclui ainda o trecho de 108 quilômetros entre Cruz Alta e Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, com potencial para soja, milho e fertilizantes. A ligação entre Santo Ângelo e Santa Rosa, de 65 quilômetros, busca integrar cooperativas e volumes transportados na região.
Em Goiás, o trecho entre Roncador Novo e Jardim Ingá terá 245 quilômetros e poderá se conectar a um porto seco. Já a ligação Aguaí-Bauxita, entre São Paulo e Minas Gerais, terá 75,4 quilômetros e poderá ser integrada à rede ferroviária paulista.
O governo ainda não definiu quais projetos serão os primeiros a avançar para os leilões previstos para 2026. O modelo adotado é o de autorização ferroviária, previsto no Marco Legal das Ferrovias, de 2021. Empresas privadas poderão construir e explorar as ferrovias, conforme as condições estabelecidas na legislação.
Os vencedores terão até dois anos para elaborar e apresentar os projetos. Esses estudos deverão indicar a viabilidade dos empreendimentos e eventual necessidade de recursos públicos. “São dois anos que ele [o proponente vencedor] vai me dar um projeto que pode ser viável ou não viável”, afirma o ministro dos Transportes, George Santoro.
Leilão do corredor Minas-Rio
O governo marcou para 17 de dezembro o leilão do corredor Minas-Rio, também estruturado pelo modelo de autorização. O corredor tem 733 quilômetros e é operado atualmente pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A estrutura será dividida em dois lotes.
O primeiro reúne o percurso entre Iguatema (MG) e Barra Mansa (RJ), além do ramal entre Varginha e Lavras, em Minas Gerais. O segundo vai de Barra Mansa até Angra dos Reis (RJ). A futura concessionária deverá cuidar da manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura e terá até dois anos para apresentar um plano de recapacitação.
Segundo Santoro, CSN e MRS estudam conjuntamente o projeto Minas-Rio. Dos oito projetos inicialmente previstos para 2026, somente esse corredor tem leilão marcado. O Ministério dos Transportes pretende publicar ainda em 2026 os editais do Anel Ferroviário Sudeste (EF-118) e da Malha Oeste, mas os leilões devem ficar para 2027.
Santoro atribui parte do atraso ao tempo das discussões no Tribunal de Contas da União (TCU), que duraram mais de oito meses.



