CARUARU — A Logo Caruaruense, empresa de transporte coletivo ligada à família da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), acumula R$ 3,2 milhões em débitos previdenciários. Mais de R$ 1 milhão desse total corresponde a dívidas relacionadas ao INSS dos trabalhadores.
Registrada como Logo Transportes Ltda., a empresa tem entre os sócios João Lyra Neto, pai da governadora, Mércia Lyra, mãe, e as irmãs Nara Lyra Mahon e Paula Teixeira Lyra, conforme dados públicos do Portal da Transparência do governo federal. Raquel Lyra deixou formalmente a sociedade em 2018.
Condenação trabalhista
A empresa e sociedades relacionadas enfrentam um histórico de problemas trabalhistas, administrativos e operacionais. Em decisão de 18 de dezembro de 2015, a juíza Sohad Maria Dutra Cahu, da Vara do Trabalho de Garanhuns, condenou Jotude, Progresso e o Consórcio Progresso/Logo ao pagamento de R$ 539 mil por dumping social e danos morais coletivos.
O Ministério Público do Trabalho em Pernambuco identificou trabalhadores sem registro formal. Parte dos motoristas continuava trabalhando depois de ter a carteira de trabalho baixada e era transferida para outras empresas como “freelances” ou autônomos, apesar das características de vínculo empregatício.
Segundo o MPT, Progresso e Consórcio Progresso/Logo também deixaram de recolher contribuições previdenciárias e depósitos do FGTS. Foram apontados ainda casos de falta de pagamento de férias, 13º salário proporcional, adicional noturno e benefícios previstos em normas coletivas.
“As empresas deixaram de recolher à Previdência e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)”, afirmou o procurador do Trabalho José Adílson Pereira da Costa.
Vistorias e investigação federal
Documentos da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI) indicaram, em 2026, que os 50 ônibus cadastrados pela Logo Caruaruense estavam com as vistorias obrigatórias vencidas. A última inspeção havia ocorrido em 2022. O relatório também registrou pneus em condições inadequadas e cintos de segurança sem funcionamento.
A EPTI instaurou procedimento administrativo para avaliar a regularidade cadastral da transportadora. O caso também chegou à Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que abriu uma Averiguação Preliminar em 9 de março de 2026.
A Senacon investiga a ausência de vistorias técnicas por mais de três anos, a circulação de veículos acima dos limites de idade e possíveis condições precárias da frota. O órgão pediu documentos sobre inspeções, condições dos ônibus, reclamações de consumidores e providências adotadas pela empresa.
Em janeiro de 2026, a Logo Caruaruense anunciou o encerramento das atividades e a devolução das linhas intermunicipais. A empresa atribuiu a decisão a dificuldades econômicas do setor e aos efeitos prolongados da pandemia. Em julho, a Senacon informou que ainda analisava as circunstâncias da operação e do fechamento.
O governo estadual afirmou que “jamais houve favorecimento político-administrativo em relação à empresa Logo Caruaruense”.



