RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que o Brasil terá de discutir mudanças no Supremo Tribunal Federal após as revelações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. A declaração ocorre nesta sexta-feira (18), durante entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.
“Como é que a gente vai consertar a Suprema Corte?”, questiona Lula. O presidente também defende uma reforma mais ampla do Poder Judiciário, mas diz que, antes disso, é preciso enfrentar os problemas revelados pelas investigações sobre o Master.
Lula afirma que Vorcaro estabeleceu relações com diferentes setores do poder em Brasília e diz que há ministros do STF ligados direta ou indiretamente ao caso. Na entrevista, porém, não apresenta elementos que comprovem todas as relações mencionadas.
Banco Master e INSS
O presidente responsabiliza o governo de Jair Bolsonaro pela ascensão do Banco Master e classifica o episódio como “o maior escândalo econômico de corrupção da história do Brasil”. Ele afirma que o banco se transformou durante a administração Bolsonaro, enquanto Vorcaro foi preso durante seu governo.
O Banco Master recebe autorização do Banco Central para operar em outubro de 2019, quando Roberto Campos Neto presidia a autoridade monetária. Lula também relaciona o caso a fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Segundo ele, quase R$ 4 bilhões teriam sido retirados dos beneficiários, enquanto seu governo devolveu os recursos desviados e apreendeu bilhões de reais em patrimônio dos investigados.
Segurança pública e outras áreas
Ao falar sobre a segurança no Rio de Janeiro, Lula acusa um candidato à Presidência de ter ligação com milicianos e afirma que integrantes da família Bolsonaro mantêm relações com esses grupos. Ele não apresenta novas provas durante a entrevista.
O presidente defende o fortalecimento da presença do Estado e das forças policiais, o bloqueio da logística financeira e operacional das organizações criminosas e a retomada de áreas dominadas por facções e milícias. Também volta a defender a criação do Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança, com atuação coordenada entre União, estados e municípios.
Lula ainda defende punições mais rigorosas para feminicídio e violência doméstica, além de ações educacionais voltadas à igualdade entre homens e mulheres. Sobre os hospitais federais no Rio, afirma que unidades em situação de abandono passam por recuperação, com aumento de atendimentos e cirurgias e maior acesso a medicamentos e radioterapia.
Na educação, o presidente apoia a expansão dos institutos federais e da formação técnica, com preparação para áreas como inteligência artificial, novas tecnologias, minerais críticos e terras raras.



