Luiz Inácio Lula da Silva afirma que a soberania brasileira depende da resistência da população a interferências externas. Em mensagem publicada na rede social X, o presidente escreve que “O Brasil não se entrega”. Em horário eleitoral, ele também declara que o país não pretende voltar a ser colonizado nem aceitar interferências em suas decisões.
A fala ocorre em meio às medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil. Em 2026, os Estados Unidos aplicam duas sobretaxas sobre produtos brasileiros: uma de 25% e outra de 12,5%. A iniciativa abre uma disputa comercial e tem como justificativa a condenação de Jair Bolsonaro no inquérito da trama golpista, em setembro de 2025.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condena o ex-presidente a 27 anos de prisão. Outras 28 pessoas também recebem condenações no caso. Como resposta às medidas norte-americanas, o governo Lula afirma que pretende recorrer à Lei da Reciprocidade.
Brasil e Estados Unidos retomam negociações comerciais na última segunda-feira (31). Em 21 de agosto, Lula conversa por telefone com Trump e classifica as tarifas como infundadas.
Propostas para autonomia nacional
O plano de governo de Lula, apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral nesta sexta-feira (7/08), inclui o eixo “Defender a soberania e o protagonismo internacional do Brasil”. A diretriz reúne medidas para proteger o território, ampliar a presença do país no exterior e reduzir dependências em setores estratégicos.
O programa menciona Amazônia, fronteiras, defesa, tecnologias estratégicas, integração regional e abertura de mercados. Também defende uma política externa baseada na independência nacional, na paz, no multilateralismo e na cooperação, com preservação dos interesses brasileiros.
Entre as ações destacadas estão a realização da COP30, da Cúpula dos BRICS e da Cúpula do G20 no Brasil. O documento cita ainda a liderança brasileira na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e no Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
Na área comercial, o plano registra a abertura de 664 novos mercados em 93 destinos nos cinco continentes. Também menciona acordos do Mercosul com a União Europeia, com o EFTA e com Singapura.
Defesa e integração
Desde 2023, o Novo PAC executa R$ 20,4 bilhões em projetos ligados à indústria de Defesa, conforme o programa. No mesmo período, o Brasil recebe sete caças Gripen F-39 e três cargueiros KC-390 fabricados no país. O documento também registra avanços na produção de 226 viaturas blindadas e na construção de quatro fragatas.
Para os próximos anos, a proposta prevê investimentos em tecnologias nacionais, fortalecimento das Forças Armadas e da Base Industrial e Tecnológica de Defesa e redução da dependência externa. O plano inclui ainda o reforço da defesa das fronteiras, da Amazônia e da Amazônia Azul, além do combate ao crime organizado transnacional.
Na área digital, o programa propõe ampliar a defesa cibernética e a Inteligência de Estado, além de apoiar regras internacionais para tecnologias digitais e inteligência artificial, com proteção de dados.
O eixo prevê aprofundar o Mercosul, ampliar conexões de infraestrutura com o Pacífico e o Caribe e expandir a cooperação sul-americana em energia, defesa, segurança, saúde e desenvolvimento. Também defende novos acordos comerciais e relações mais amplas com África, Ásia, Oriente Médio, Europa, BRICS e Sul Global.
Na agenda internacional, o documento propõe reformas da ONU, do Conselho de Segurança, da OMC e da arquitetura financeira internacional. O texto também mantém como prioridades o combate à fome, à pobreza e à emergência climática.



