A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes é marcada por acusações entre ministros. Moraes afirma que André Mendonça exigiu a inclusão do próprio nome nas tratativas de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e diz ter testemunhas para confirmar a versão.
Mendonça nega a acusação e afirma que se trata de “mentira”. Durante o confronto, Moraes questiona quem teria medo da Polícia Federal e pergunta quem teria exigido que um colega fosse incluído na delação. Também acusa o relator do caso Master de atuar a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe de Estado no país.
Críticas de Gilmar Mendes
Antes da troca entre Moraes e Mendonça, Gilmar Mendes defende a criação da figura do juiz de garantias para tribunais superiores. O decano critica a condução dos inquéritos do Master por Mendonça e compara os procedimentos à “máfia”.
Gilmar também faz provocações de cunho religioso ao ministro, chamado de “terrivelmente evangélico”. Ao criticar a decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirma: “O sujeito tem que se algemar e pedir a Deus que não faça”.
Mendonça tenta responder às críticas e declara que “decidiu na forma do Direito”, mas é interrompido. Em outro momento, Gilmar diz que “em nome de Deus já se fez muita patifaria” e critica um boneco inflável de Mendonça levado recentemente a um ato político na Avenida Paulista. “Até a máfia tem ética”, afirma.
Próxima etapa
Moraes vira o rosto enquanto Mendonça tenta retrucar e, depois, ele deixa o Plenário sem conseguir se fazer ouvir. O ministro também promete apresentar testemunhas que confirmariam uma tentativa de direcionar os temas da colaboração de Vorcaro.
Ministros do STF já comentavam há pelo menos dois meses sobre a existência de advogados que poderiam relatar a atuação de Mendonça nas negociações da delação, mas avaliavam que o momento ainda não era adequado.
A sessão está prevista para recomeçar às 15 horas. Mendonça considera que pode obter maioria para investigar Moraes, mas enfrenta resistência de ministros com quem tem pouca proximidade. Flávio Dino, Gilmar Mendes e Moraes ficam lado a lado no plenário, e nenhum dos demais ministros manifesta defesa pública do relator do caso Master.



