O conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), começou após um advogado apresentar a Mendonça uma proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
Nos primeiros meses deste ano, José Luís de Oliveira Lima, que fazia parte da defesa de Vorcaro, procurou Mendonça. A proposta estava organizada em anexos temáticos, mas não mencionava a suposta relação próxima entre Vorcaro e Moraes. O material já era considerado insuficiente por setores da Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Em junho, durante uma sessão do STF, Mendonça afirmou que não levou a proposta adiante por considerar que ela omitia informações relevantes. “Queriam fazer uma delação seletiva”, disse o ministro. Depois, o advogado procurou outro integrante do Supremo e apresentou uma versão diferente: Mendonça teria rejeitado o acordo porque ele não incluía Moraes.
O caso chega ao plenário
O relato chegou a Moraes durante a sessão plenária de terça-feira, 15, que analisava se ele deveria ser investigado por relações impróprias com Vorcaro. O ministro afirmou ter policiais e advogados capazes de testemunhar que Mendonça teria tentado comprometê-lo em uma delação.
“Eu tenho testemunhas”, declarou Moraes ao questionar quem teria chamado a Polícia Federal para incluir um colega na colaboração premiada.
O ministro Gilmar Mendes também mencionou uma discussão anterior sobre delações e disse se lembrar de Mendonça recebendo advogados para conduzi-las. Mendonça negou ter feito essa afirmação. A delação de Vorcaro não foi formalizada.
Mendonça havia determinado que a Polícia Federal identificasse os destinatários de mensagens enviadas por Vorcaro para influenciar “Paulo” e “Andrei”. Os investigadores concluíram que os nomes eram Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Mensagens recuperadas no bloco de notas do ex-banqueiro indicaram ainda que os pedidos eram dirigidos ao número registrado como “Alexandre Moraes Brasília”.
Como as respostas foram apagadas e o aparelho de Moraes não foi apreendido, não é possível saber o que o ministro respondeu. O ministro Flávio Dino pediu vista do caso e terá até 90 dias para devolvê-lo à pauta.



