A Polícia Federal afirma que o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou a cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração contraria a versão de que o material teria sido entregue espontaneamente pela corporação.
Em nota divulgada neste domingo (13), a PF informa que o envio ocorreu mediante solicitação do próprio gabinete, conforme registros de um processo administrativo. Mendonça havia dito que recebeu voluntariamente uma cópia de segurança, mantida lacrada e sem manuseio.
A corporação esclarece que o aparelho original apreendido de Vorcaro permanece sob sua custódia, com lacres preservados e cadeia de custódia documentada. O material encaminhado ao ministro é uma cópia dos dados extraídos, não o dispositivo original.
A PF também afirma que pode fornecer cópias aos ministros, desde que sejam cumpridas as determinações do Supremo e as regras de sigilo aplicáveis.
Divergência no Supremo
A discussão ocorre durante a disputa no STF sobre o acesso integral ao conteúdo do celular, considerado peça central das investigações envolvendo o Banco Master.
Na sexta-feira (11), o ministro Cristiano Zanin pediu que Mendonça compartilhasse a íntegra do material com os demais integrantes da Corte. A medida permitiria que todos tivessem acesso aos mesmos elementos antes do julgamento marcado para terça-feira (15).
Mendonça rejeitou o pedido. Em manifestação ao Supremo, afirmou que a divulgação integral poderia comprometer investigações em andamento e prejudicar futuras operações da Polícia Federal e do Ministério Público. O ministro também declarou que os demais integrantes da Corte tinham acesso ao mesmo conjunto de informações que seria usado no julgamento.
Zanin contestou o argumento de que a cópia lacrada impediria o compartilhamento. Para ele, a preservação da cadeia de custódia se aplica ao material original mantido pela PF, e todos os ministros deveriam ter a mesma possibilidade de analisar os dados.
Gilmar Mendes também pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a liberação do conteúdo integral.




