O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, avalia assumir temporariamente as investigações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), hoje conduzidas pelo ministro André Mendonça. A possibilidade é discutida desde o último domingo (6) como uma tentativa de reduzir o conflito entre Mendonça e Alexandre de Moraes.
Fachin reuniu assessores para examinar alternativas e definir a resposta do tribunal à troca de acusações entre os ministros. Integrantes da Corte alinhados a Moraes defendem o afastamento temporário de Mendonça dos casos, enquanto Fachin considera a medida dentro de uma estratégia mais ampla para conter a tensão.
A mudança na relatoria começou a ser analisada antes da decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, nesta terça-feira (8). A ordem alcançou maioria na Segunda Turma do STF, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Fachin também determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues apresentassem informações, no prazo de cinco dias, sobre a produção e o uso de um relatório da Polícia Federal. O presidente do STF quer esclarecer como Mendonça ordenou a identificação de pessoas que mantiveram contato com Daniel Vorcaro e quais medidas foram adotadas nas apurações envolvendo autoridades.
Disputa entre ministros
A crise se intensificou após a divulgação de documentos da Polícia Federal relacionados a Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Um relatório interno usado por Moraes para determinar uma apuração sobre Mendonça é descrito no próprio documento como sem valor probatório. Parte das informações recebeu grau de confiança “baixo” ou “moderado”.
Antes disso, Mendonça havia retirado o sigilo de outro relatório que o apresentava como interlocutor de Vorcaro e indicou que uma investigação sobre Moraes poderia ser submetida ao plenário do STF.
A divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e dirigidas a Moraes ampliou o embate. O ex-controlador do Banco Master foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Nas mensagens, ele tratava de encontros e perguntava sobre a possibilidade de deixar o país.
Fachin já retirou do inquérito das fake news um pedido de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Na sexta-feira (4), após conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fachin afirmou: “A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa.”
O presidente do STF também defende o encerramento do inquérito das fake news, aberto em 2019 durante a presidência de Dias Toffoli e conduzido por Moraes.



