O procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, critica a ausência de propostas dos candidatos à Presidência da República para combater desvios de recursos públicos e evitar novos escândalos.
Livianu afirma que a repetição de casos de corrupção deixou de influenciar as pesquisas eleitorais. “Os escândalos de corrupção se multiplicam e isso já não impacta nas pesquisas”, declara. Para ele, os eleitores estão anestesiados diante do problema.
O procurador defende a criação de uma política pública que envolva os três poderes. Ele também avalia que a campanha é marcada por poucas propostas e por conflitos entre os candidatos.
A Transparência Internacional também apoia reformas estruturais e uma política pública de combate à corrupção. Guilherme France, gerente de pesquisas da organização, cita os casos do mensalão, do petrolão e do Banco Master e afirma que não foram apresentadas medidas estruturais para enfrentar o problema.
Índice de percepção
Em fevereiro, a Transparência Internacional divulgou o Índice de Percepção da Corrupção. O Brasil registrou 35 pontos em uma escala de zero a cem, que vai do menor ao maior nível de integridade. O resultado repete a segunda pior marca da série histórica iniciada em 2012.
O país ficou na 107ª posição entre 182 nações analisadas.
Durante a campanha, os casos envolvendo o Banco Master e aposentados do INSS foram usados nos discursos políticos. Integrantes do governo afirmaram que a gestão de Lula conteve os problemas, enquanto adversários atribuíram os escândalos ao presidente. Os grupos defenderam o avanço das investigações, mas propostas concretas para enfrentar a corrupção não foram apresentadas até agora.



