BRASÍLIA — O Partido dos Trabalhadores afirma que o governo federal não negocia com o Governo do Distrito Federal e o Banco de Brasília (BRB) a concessão de uma garantia da União para uma operação envolvendo a instituição. Segundo a legenda, a negociação ocorre entre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e os bancos envolvidos, enquanto o governo federal mantém posição contrária ao aval.
A recusa, de acordo com o PT, considera a origem criminal dos problemas relacionados ao BRB e a deterioração da capacidade de pagamento do ente que solicita a garantia. “Não existe hipótese de aval federal a essa operação”, afirma a nota divulgada neste sábado (19).
Falta de balanço atualizado
O partido cobra a publicação de um balanço completo e atualizado do BRB após a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master. A nota menciona a prisão do ex-presidente do banco por decisão do Supremo Tribunal Federal e afirma que ele é investigado sob suspeita de receber R$ 146,5 milhões em propina para viabilizar o negócio.
Para a legenda, a ausência de informações impede a avaliação do passivo, do ativo, da liquidez e da situação patrimonial da instituição. O PT também questiona a capacidade do BRB de devolver cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais, caso os valores sejam requisitados, e pede esclarecimentos sobre outros passivos.
A manifestação critica as justificativas atribuídas à governadora do Distrito Federal durante uma sabatina na sexta-feira (18). Segundo o partido, ela teria dito que a divulgação do balanço deveria ocorrer depois, em razão do empréstimo, e também que a decisão seria técnica e autônoma do banco. Para o PT, as explicações são incompatíveis.
Acordo no Supremo
A legenda afirma que a governadora assinou anteriormente um acordo no Supremo Tribunal Federal que previa uma solução para o problema do BRB sem aval da União. Na avaliação do partido, a tentativa atual de obter a garantia federal muda o entendimento anterior.
O PT diz ainda que bancos privados recusaram a operação por falta de informações confiáveis sobre as finanças do BRB. Também rebate a alegação de que a União cometeria irregularidade ao negar a garantia e afirma que não foi indicado qual dispositivo legal teria sido violado.
A nota cita dados segundo os quais o BRB perdeu 791,9 mil clientes em nove meses, uma redução de 8,1%. Para o partido, a queda ocorreu durante um período de incertezas e falta de informações sobre o balanço.
Ao final, a legenda reafirma que o governo federal não pretende garantir a operação sem conhecer integralmente a situação financeira do banco e cobra balanços auditados e atualizados. “A conta de uma fraude não pode virar imposto para quem não teve nada a ver com ela”, afirma o PT.



