O economista Jeffrey Sachs prevê que Donald Trump perderá apoio nas eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos e que os republicanos deixarão de controlar ao menos uma das duas Casas do Congresso. Para ele, o cenário mais provável é a perda da Câmara dos Representantes, o que poderia abrir caminho para um novo processo de impeachment contra o presidente.
Sachs atribui a previsão à rejeição a Trump, à oposição de parte da população às guerras e ao descontentamento com problemas econômicos e sociais. Ele afirma que o índice de aprovação do presidente está em torno de 35%, enquanto a desaprovação se aproxima de 60%.
O economista também aponta insatisfação entre os jovens, preocupados com o mercado de trabalho, e com o custo da assistência médica, dos medicamentos, do tratamento dentário e das consultas. Segundo Sachs, apenas uma parcela minoritária mantém apoio intenso ao presidente, estimada por ele entre 20% e 25% do público.
Eleições e impeachment
Sachs diz que Trump perderá ao menos uma das Casas do Congresso se as cédulas forem contadas corretamente, possibilidade que ele estima em 80%. O economista menciona o risco de interferência federal no processo eleitoral, mas não apresenta provas no trecho da entrevista. Também alerta para a possibilidade de conflitos, manifestações violentas e repressão.
Na avaliação dele, a Câmara é a Casa com maior probabilidade de mudar de controle. Uma eventual maioria democrata, afirma, provocaria dois anos de paralisia e disputas entre o Executivo e o Legislativo. O processo de impeachment também poderia limitar a atenção e a capacidade de Trump para mobilizar grandes esforços militares.
Sachs sustenta ainda que a política externa e militar dos Estados Unidos está fora dos limites constitucionais há décadas e critica o complexo militar-industrial. Ele considera possível uma mudança política após a eleição presidencial de 2028, com um novo presidente em 2029, mas diz não identificar atualmente uma liderança com esse perfil.
O economista também relaciona o assassinato de John F. Kennedy, em novembro de 1963, a uma tentativa de restringir o complexo militar-industrial. As investigações oficiais não estabeleceram essa tese como fato.
Na política internacional, Sachs afirma que China, Índia, Rússia e os BRICS terão papel central nas transformações das próximas décadas. Ele destaca o avanço industrial chinês e diz que o setor manufatureiro do país tem cerca de três vezes o tamanho do setor dos Estados Unidos. Também prevê que veículos fabricados na China estarão presentes nos próximos 30 anos.




