SÃO PAULO — A gestão de Tarcísio de Freitas organiza sua imagem política em torno de obras, concessões e parcerias com investidores privados. Rodovias, trens, túneis, moradias e contratos aparecem como sinais de realização, enquanto questões sobre financiamento, tarifas, benefícios fiscais e fiscalização ficam em segundo plano.
A estratégia retoma uma lógica associada ao malufismo: apresentar grandes intervenções urbanas como prova da capacidade de governar. A diferença está no papel central atribuído ao capital privado. Projetos, contratos, obras em andamento e entregas são reunidos em uma mesma narrativa, ainda que parte relevante do financiamento venha do poder público.
O BNDES participa com bilhões de reais de empreendimentos como o Rodoanel Norte, a expansão da Linha 2 do Metrô e o Trem Intercidades. Mesmo assim, o banco raramente aparece no centro da comunicação política sobre essas iniciativas.
As contas de 2025 do governo paulista foram aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas do Estado. O órgão apontou a necessidade de reforçar os controles diante do avanço das concessões e parcerias.
Doações e negócios
A relação entre o governo e investidores privados também aparece no financiamento eleitoral. Em 2022, a campanha de Tarcísio recebeu uma doação declarada de R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Posteriormente, Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que doações para as campanhas de Tarcísio e Jair Bolsonaro teriam sido contrapartidas de um acordo indevido. Tarcísio nega a acusação e afirma que sua campanha seguiu a lei.
A alegação ainda precisa ser comprovada. O episódio, porém, reforça a necessidade de esclarecer quem financia a campanha, quem recebe oportunidades de negócio e quais custos ficam para a população. A transparência sobre as contas públicas e sobre as concessões é central para acompanhar a agenda do governo.



