SÃO PAULO — O tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob acusação de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, afirma que passou a cumprir tarefas e pedir autorização a soldados dentro do Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
Em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar, no âmbito do Inquérito Policial Militar que investiga a morte de Gisele, o oficial relata que precisa pedir permissão para entrar na cela, fazer faxinas e buscar as refeições dos presos. “Eu sou um escravo”, declarou durante a oitiva.
Geraldo afirma que a rotina representa uma inversão da hierarquia de sua carreira. Segundo ele, a maior parte dos detentos é formada por cabos e soldados, enquanto os oficiais são minoria. O militar diz também que, dentro das celas, precisa se submeter à autoridade informal dos presos mais antigos.
A rotina descrita inclui lavar banheiros, louças e corredores, além de buscar café da manhã, almoço e jantar. O tenente-coronel afirma que o presídio tem regras oficiais e normas estabelecidas pelos próprios presos. No setor em que está detido, há 17 policiais, e a liderança entre os internos é exercida pelo soldado mais antigo do grupo.
O oficial também relata dividir a unidade com policiais que estiveram sob sua fiscalização quando ocupou postos de comando nas zonas leste e oeste da capital paulista. Segundo ele, alguns desses agentes fazem cobranças relacionadas à sua atuação anterior. Em janeiro de 2025, Geraldo diz ter dado voz de prisão a um tenente e a integrantes de um pelotão por insubordinação.
O Inquérito Policial Militar não confirma que ele tenha sofrido represálias. As alegações de intimidação, cobranças e tratamento diferenciado integram a versão apresentada pelo militar.
O depoimento de Geraldo à Justiça comum foi adiado pela terceira vez. A juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro remarcou o interrogatório para 5 de outubro, às 13h, após a defesa pedir novas diligências.
A magistrada determinou que a perita Amanda Rodrigues Marinone esclareça quem realizou uma gravação citada durante uma audiência. Também requisitou ao Instituto de Criminalística uma nova complementação dos quesitos apresentados pelos advogados. A investigação sobre as circunstâncias da morte de Gisele segue em andamento.



