O jornalista e colunista Tiago Barbosa critica a cobertura das eleições presidenciais de 2026 e acusa grandes grupos da imprensa comercial de adotar critérios diferentes para Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. A análise foi feita em conversa com a jornalista Laís Gouveia no programa Fura-Bolha, exibido neste sábado (19).
Barbosa afirma que parte das redações retomou práticas associadas ao antipetismo e ao antilulismo e deixou de relembrar os ataques do clã Bolsonaro contra jornalistas. Para ele, essa postura transforma acusações e informações não comprovadas em munição contra o governo.
Sabatinas e acusações contra Lula
Na avaliação do jornalista, as sabatinas presidenciais, incluindo a do Jornal Nacional, foram estruturadas para provocar um erro de Lula, em vez de discutir projetos de país. Ele também critica a presença de várias vozes da direita e da extrema direita nesses espaços e a exclusão de candidaturas com propostas para serviços públicos e estatais.
Barbosa diz que a cobertura reativa a associação entre corrupção e o campo progressista, enquanto deixa em segundo plano a falta de propostas do adversário. “O ódio de classe, o antipetismo e o antilulismo suplantam o próprio fazer jornalístico e a dignidade profissional”, afirmou.
O colunista também compara o tratamento dado aos familiares de Lula com a cobertura de episódios envolvendo Flávio Bolsonaro. Entre os casos citados estão a solicitação de recursos a um banqueiro envolvido em fraudes, a compra de uma mansão em Brasília e a existência de sedes compartilhadas entre empresas ligadas ao candidato e pessoas investigadas por fraudes no INSS.
Críticas ao STF e à cobertura econômica
Barbosa afirma ainda que editoriais contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes, buscam enfraquecer decisões relacionadas à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro. Segundo ele, a estratégia tenta apresentar Moraes como “o juiz de Lula” e deslegitimar decisões contra envolvidos nos ataques.
Ao final, Barbosa e Laís discutem a cobertura de indicadores econômicos. O jornalista afirma que o noticiário minimiza crescimento do Produto Interno Bruto, desemprego baixo, inflação controlada e recuperação do poder de compra, além de classificar políticas como a valorização do salário mínimo e o reajuste do Bolsa Família como medidas eleitorais.
Barbosa defende que setores populares e veículos independentes continuem contestando essa interpretação dos fatos nas redes e nas ruas.



