Xi Jinping e Narendra Modi defendem que China e Índia se tratem como parceiras, e não rivais, durante reunião realizada em Nova Déli, na Cúpula do BRICS. A posição é divulgada pela Xinhua e inclui a ideia de que o desenvolvimento de um país deve ser visto como oportunidade para o outro.
O encontro ocorre após anos de tensões fronteiriças, rivalidades estratégicas e desconfianças recíprocas. Xi afirma que os dois países precisam analisar a relação sob uma perspectiva estratégica e de longo prazo. A formulação apresentada pelo presidente chinês é: “parceiros, e não rivais”.
Cooperação e diferenças
Xi apresenta quatro orientações para a relação bilateral: tratar a parceria estratégica sem reproduzir uma lógica de confronto entre grandes potências; ampliar a cooperação baseada em benefícios mútuos; administrar as divergências com respeito e compreensão; e aumentar a coordenação em organismos multilaterais.
A agenda inclui comércio, investimentos, conectividade, intercâmbios entre as populações e relações econômicas. As preocupações indianas sobre desequilíbrios comerciais também entram nessa discussão. Na questão fronteiriça, a proposta é evitar que as divergências territoriais contaminem todas as demais áreas da relação.
Modi afirma que China e Índia são grandes civilizações que aprenderam uma com a outra ao longo de milhares de anos. O primeiro-ministro indiano também reafirma que a política externa de Nova Déli é independente e que o desenvolvimento das relações com a China não está sujeito à influência de terceiros países.
A Índia participa do Quad com Estados Unidos, Japão e Austrália, mas mantém vínculos econômicos, energéticos e estratégicos com a Rússia. A reaproximação com Pequim reforça a posição de Nova Déli de se relacionar com diferentes países sem aceitar alinhamentos automáticos.
Fronteira continua como principal desafio
A fronteira entre China e Índia permanece no centro das dificuldades bilaterais. O confronto de 2020 no vale de Galwan provocou a mais grave crise entre os dois países em décadas. Desde então, negociações diplomáticas e militares tentam reduzir as tensões.
A posição indiana é que a paz e a tranquilidade nas regiões fronteiriças são essenciais para o avanço da relação. O movimento atual não elimina a disputa, mas sinaliza que Pequim e Nova Déli pretendem administrá-la sem interromper as possibilidades de cooperação.
No BRICS, a aproximação pode ampliar a coordenação entre os dois países. Xi defende mais articulação no grupo, nas Nações Unidas, na Organização de Cooperação de Xangai e no G20. Modi manifesta apoio à presidência chinesa do BRICS em 2027, após a presidência indiana de 2026.
Em outubro de 2024, Xi e Modi haviam se reunido em Kazan, durante a Cúpula do BRICS. Em agosto de 2025, em Tianjin, os dois líderes já tinham afirmado que China e Índia eram parceiras de desenvolvimento, e não rivais. Agora, em setembro de 2026, o entendimento ganha alcance estratégico e global.
China e Índia reúnem aproximadamente 2,8 bilhões de pessoas, ocupam posições centrais no BRICS e no G20 e são descritas como duas civilizações milenares. A aproximação não encerra as divergências, mas indica que os dois países não querem permitir que elas definam toda a relação.



