Manter o ar-condicionado em 17 ºC tende a consumir mais energia do que usar o aparelho em 23 ºC. Em modelos com tecnologia Inverter, o ajuste mais baixo faz o compressor operar por mais tempo em uma faixa elevada de potência, mas não funciona como um acelerador para resfriar o ambiente.
A explicação é de Romenig Magalhães, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Gree no Brasil. Ele afirma que a potência do compressor varia conforme a temperatura selecionada e as condições do cômodo. Em temperaturas entre 23 ºC e 25 ºC, o equipamento consegue reduzir a intensidade de funcionamento em menos tempo. Essa queda pode superar 45% em determinados momentos.
A redução de potência, porém, não representa necessariamente uma economia de 45% na conta de luz. O percentual se refere ao funcionamento do compressor, e não ao consumo acumulado durante uma noite ou um mês.
Temperatura e tempo de resfriamento
Segundo Magalhães, baixar o controle para 17 ºC não faz o cômodo chegar mais rapidamente a uma temperatura intermediária, como 23 ºC. O aparelho já começa a trabalhar para atingir a temperatura programada. Com um valor muito baixo, o compressor pode permanecer em potência elevada por mais tempo, sem acelerar o resfriamento.
Como exemplo, o especialista cita um aparelho configurado para 24 °C em um ambiente entre 27 e 29 °C. Conforme a temperatura interna diminui, a potência do compressor tende a cair. Ao alcançar a temperatura escolhida, o compressor continua funcionando em aproximadamente 25% de sua potência nominal.
Simulação de consumo
Uma estimativa considera o Gree G-Top Auto Inverter de 9.000 BTUs, quente e frio, com consumo anual de 361,2 kWh. Pela metodologia do Inmetro, esse consumo é relacionado a 2.080 horas de funcionamento.
A média calculada é de aproximadamente 0,174 kWh por hora. Em oito horas de funcionamento por noite, o aparelho consumiria cerca de 1,39 kWh por dia. Em 30 dias, o consumo estimado chegaria a 41,68 kWh.
As tarifas de referência usadas na simulação são de R$ 0,97/kWh em Fortaleza (CE), R$ 0,95/kWh em São Paulo (SP), R$ 0,85/kWh em Curitiba (PR), R$ 0,84/kWh em Manaus (AM) e R$ 0,83/kWh em Brasília (DF). Esses valores servem para dimensionar uma rotina de uso e não representam especificamente o aparelho funcionando em 17 ºC ou 23 ºC.
O consumo real também varia conforme o ambiente, a instalação, a manutenção e o estado dos componentes. Sensores e demais itens eletrônicos precisam funcionar corretamente. Portas e janelas abertas aumentam as trocas de calor e podem fazer o aparelho permanecer ligado por mais tempo. Por isso, equipamentos iguais podem apresentar gastos diferentes mesmo usados pelo mesmo período.



